
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Em meio ao usual comportamento mesquinho dos torcedores de clubes brasileiros, que sempre procuram diminuir os méritos e ídolos dos “inimigos”, é muito difícil termos uma unanimidade nacional no nosso futebol.
Entre os treinadores, na minha opinião, a última unanimidade por aqui foi Vanderlei Luxemburgo, especialmente em 1998 (quando assumiu a Seleção Brasileira e simultaneamente foi campeão brasileiro pelo Corinthians, e carregava louros anteriores, especialmente no Palmeiras). Em 2003-2006, após ser bicampeão brasileiro com clubes diferentes (Cruzeiro em 2003 e Santos em 2004), ir para o Real Madrid e retornar ao país já conquistando o Paulistão 2006 por um Santos claramente inferior a São Paulo e Corinthians, Luxemburgo era rei no Brasil. Porém, tinha contra si passagens mal sucedidas pela Europa e pela própria Seleção, além de sua sempre contestada conduta moral. Fora que a Canarinho estava nas mãos de Parreira, um técnico campeão mundial, que voltou ao cargo credenciado por um grande trabalho no Corinthians, em 2002, e que ainda colecionava títulos como Copa América e Copa das Confederações.
Tite faz trabalhos tão impressionantes no Corinthians, que se tornou um ponto pacífico que é o melhor treinador do país. Se em 2012 chegou ao topo do mundo comandando um time sem astros, o que fez em 2015 – após um ano sabático que incluiu estudos na Europa – foi muito mais impressionante: com os mesmos jogadores que no ano anterior estavam à disposição de Mano Menezes, revolucionou o futebol da equipe, que logo foi considerada “de Champions League”. Com os problemas salariais no clube, surgiu uma crise, vieram as eliminações e o elenco foi desmanchado. No segundo semestre, sem grandes contratações, foi capaz de formar um novo time que ganhou o Brasileirão de maneira convincente como há muito não acontecia. Tendo, inclusive, o melhor ataque da competição e praticando um futebol muitas vezes envolvente, características ausentes em seus últimos trabalhos. Com isso, ele simplesmente passou a não ter mais “contras”.
Agora em 2016, após novo desmanche no alvinegro paulistano, Tite parece estar no caminho de mais uma bem sucedida reconstrução, sempre formando times bem montados, compactos e modernos.
Como a CBF inaceitavelmente optou por Dunga e hoje corremos reais riscos de não nos classificarmos para a Copa 2018, acredito que em algum momento a troca de comando será inevitável. Reprovado pela imprensa, odiado pelos torcedores e fazendo um trabalho abaixo de qualquer crítica, o atual treinador ainda terá armadilhas como as Olimpíadas e a Copa América do Centenário para confirmar sua incapacidade.
Infelizmente, Guardiola não é mais uma opção (pois assinou contrato com o Manchester City). Creio que Tite não deve nada ao ótimo Jorge Sampaoli ou qualquer outro menos cotado, além de não enfrentar a inexplicável resistência a técnicos estrangeiros que ainda temos.
Se os genéricos, maléficos e rotativos comandantes da CBF se virem em risco, tiverem o mínimo de preocupação pela opinião pública e conseguirem seduzir o melhor técnico do país, eles não têm outra alternativa. Qualquer outro técnico brasileiro será ilegítimo. Seu Adenor tem legitimidade incontestável, bem como autoridade moral para comandar a camisa de maior prestígio da história do futebol. Figura respeitada e admirada que é, tenho certeza que, lá no fundo, todo brasileiro torceria (ao menos inicialmente) para que as coisas com ele dessem certo, assim se sentindo um pouco mais próximos desse “time da CBF” que de seleção não tem nada.