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No Ângulo | Futebol é preciso

Com “renegados” em campo, São Paulo vence o Galo e vira favorito no confronto

12/05/2016

Créditos da imagem: Rubens Chiri/São Paulo FC

O São Paulo atual é emblemático do quanto a opinião futebolística de grande parte das pessoas é desprovida de qualquer resquício de lógica. É um tal de palpitar daqui e dali sem um pingo de critério, sempre de acordo com a própria conveniência, é claro.

A volatilidade das opiniões assusta, principalmente quando se vê que parte da imprensa – com gente boa aí incluída – entra nessa onda (do torcedor apaixonado eu já aprendi que, em regra, não se pode esperar muita racionalidade).

Algumas aparentes incongruências até são compreensíveis, em razão da imprevisibilidade que caracteriza o futebol. Explico dando um exemplo: depois da classificação dramática do São Paulo em La Paz e de sua trajetória de plena ascensão na Libertadores, acredito mesmo que o time – antes azarão – tenha se transformado a ponto de hoje poder sim ser apontado como um dos favoritos ao título. O futebol permite esse tipo de análise “mutante”.

Mas isso tem um limite.

No começo do ano, quando o São Paulo ainda buscava uma identidade enquanto equipe (mas nitidamente demonstrava um caráter que há muito não se via pelos lados do Morumbi), Michel Bastos e Ganso eram os “perseguidos” pela torcida, os grandes responsáveis pela má-fase do clube, algo sobre o qual eu nunca concordei.

Passado algum tempo, a dupla demonstrou aquilo que para mim era óbvio – que ambos são os melhores jogadores do elenco -, com o que a torcida não viu outra alternativa que não parar com aquela sandice.

Só que isso, claro, não durou muito tempo. Afinal, estamos falando do São Paulo, um dos clubes com bastidores mais “quentes” do futebol brasileiro na atualidade (aliás, imagino que os dirigentes adorem esses “desvios de foco”).

E os novos alvos passaram então a ser o (ainda) “perseguido” goleiro Denis – que realmente falhou bastante na atual temporada, assim como Cássio, por exemplo, vem falhando no Corinthians, o que evidencia a instabilidade que marca essa posição – mas que possui potencial e perfil para substituir o insubstituível Rogério Ceni -, e o outrora ídolo Lugano, que mesmo muito pouco testado (atuou “pra valer” mesmo apenas nos “mistões” do Paulista) foi sumariamente descartado e considerado ultrapassado (tendo sido convenientemente deixado de lado o fato de que o seu último clube – o Cerro Porteño -, por onde atuou regularmente, livre de contusões, lutou pela sua permanência).

A fim de demonstrar a efervescência pela qual atravessa o São Paulo já há algum tempo, escrevi por ocasião da véspera da última partida decisiva do Tricolor na fase de grupos que: “em caso de derrota na Bolívia, a frigideira já está (estava) pronta no Morumbi”.

Só que – ufa! – a derrota não veio. O time se classificou e depois passou bem pelo Toluca, pelas oitavas de final da competição.

Já pelo jogo de ida das quartas, no clássico nacional contra o Atlético Mineiro, ironicamente em um momento em que os “renegados” Ganso, Denis e Lugano estavam todos juntos atuando dentro de campo, o “quarto elemento” Michel Bastos (!) garantiria, de cabeça, o placar de 1×0 para o São Paulo, resultado final da partida (que foi horrorosa, muito truculenta e pouco jogada, há de se registrar).

Com isso, o São Paulo dá um grande passo para buscar a classificação em Belo Horizonte, para onde vai como favorito para conquistar a vaga na semifinal da Libertadores.

Quem diria, não?

Mas não se deixe enganar. Ou o leitor tem alguma dúvida de que a tal frigideira estará à espera dos jogadores (e talvez até de Bauza) caso o São Paulo seja eliminado pelos fortes mineiros?

Ora, “eu acredito”.

E segue o jogo.

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