
Créditos da imagem: Folha de São Paulo
Segundo informações que veiculam nos mais diversos sites esportivos do país, Ricardo Oliveira, o artilheiro do último Brasileirão (e Paulistão), está de malas prontas para o Beijing Guoan, da China (o mesmo que recentemente tirou Ralf e Renato Augusto do Corinthians), que estaria disposto a pagar um salário superior a 1 milhão de reais (!) mensais ao centroavante santista.
Apesar de assumidamente me considerar um “romântico” nesse futebol atual, cada vez mais mercantil, por assim dizer, considero que, desde que haja a contrapartida para o Santos (obviamente que não o valor total da vultosa multa contratual prevista, que seria na casa dos 50 milhões de euros), o negócio, caso se confirme, poderá ser bom para todos os envolvidos.
A fim de não parecer contraditório com colunas anteriores, quando defendi que Lucas Lima acertou ao optar por ficar no Peixe e Robinho errou feio ao optar pelo Galo em detrimento do clube que o tinha como ídolo, penso ser importante destacar aquilo que entendo como diferenças relevantes entre as situações. Senão vejamos:
Lucas Lima tem mercado no futebol europeu, é jovem e sonha – de maneira bastante plausível, já que tem bola para tanto – em ser contratado no meio da temporada por um Barcelona, um Real Madrid ou um Bayern, como recentemente afirmou no sempre revelador Bola da Vez, da Espn Brasil. Além do já manifestado desejo de ser o maestro brasileiro na próxima Copa do Mundo. Algo que, a título de exemplo, ficou muito distante para Renato Augusto, um possível rival do meia santista nessa corrida.
Robinho, por seu turno, por um dinheiro que, suponho, no fim das contas pouca diferença fará na sua já abastada vida, abdicou da condição de ídolo imaculado santista e foi viver no Atlético o seu “futebol de negócios”, como ele próprio definiu o esporte que pratica. Triste.
Já Ricardo Oliveira, embora seja uma figura importante dentro do Santos, está longe, mas bem longe de ter uma representatividade histórica dentro do clube. Ele definitivamente não está entre os “caras”, no hall dos grandes craques santistas. Está, se muito, no mesmo nível de um Viola ou um Kléber Pereira (o que não é pouco, diga-se. Essa comparação não tem um pingo de ironia ou tom pejorativo, vez que os três já foram artilheiros do Brasileirão atuando com a camisa santista e foram excelentes). Além de ser um jogador em fase final de carreira, que, apesar de ter sido convocado recentemente por Dunga, sejamos realistas, muito dificilmente estará na próxima Copa do Mundo.
Se sair agora, Oliveira sairá por cima e com a certeza do dever cumprido. Conjecturando, acho improvável que ele repita uma temporada tão boa quanto a de 2015, até por questões físicas e anímicas (quando, em 2015, chegou desacreditado à Vila Belmiro, quis provar – e conseguiu – que ainda era um jogador do primeiro escalão. Conseguiria manter a motivação e o nível de atuação? Não sei…).
Quanto ao Santos, o dinheiro que entraria – falemos em um valor hipotético de 5 milhões de euros -, seria mais do que bem-vindo a um clube sabidamente em crise financeira e, quem sabe, poderia ser utilizado (uma fração disso) para contratar alguém mais jovem e também talentoso. Sem querer comparar o futebol de ambos, mas o Corinthians contratou o Guilherme (ex-Galo) por “reles 1,3 milhão de euros”, por exemplo.
Ora, pensando no futuro, sem imediatismos, não é razoável crer que a possível negociação poderá ser positiva também para o Peixe?
De se lamentar que o excelente quarteto de 2015 formado por Lucas Lima, Geuvânio (ou Marquinhos Gabriel), Gabigol e Ricardo Oliveira está na iminência de ser reduzido a uma dupla.
Dupla esta que inevitavelmente também partirá. Resta saber quando. Ou alguém duvida?
E segue o jogo.