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No Ângulo | Futebol é preciso

O “fico” de Lucas Lima merecia mais barulho

16/07/2015

Créditos da imagem: Portal Terra

Não sei se pela má fase do Santos, se pela sua personalidade discreta à la Rivaldo, ou, ainda, se pela nossa mania em dar ênfase às coisas negativas e ignorar as positivas, mas o fato é que Lucas Lima, talvez o melhor jogador em atividade no país, optou por ficar na equipe pela qual ganhou projeção nacional ao recusar as inúmeras propostas financeiramente tentadoras recebidas, em um episódio que infelizmente teve pouca repercussão.

Como já se podia prever, após as convincentes atuações no ano passado e primeiro semestre de 2015, o maestro santista foi sondado por grandes clubes como o Cruzeiro (então treinado por Marcelo Oliveira, fã declarado do meia e hoje técnico do Palmeiras) e do Porto, de Portugal. Na contramão da maioria dos imediatistas jogadores e agentes (embora seja importante registrar que em recente declaração dada a uma emissora de televisão, Wagner Ribeiro, o empresário do atleta, afirmou que o “clássico-moderno” meia é um jogador de primeira linha e que deveria sair tão somente para um time de sua envergadura), Lucas Lima disse não às propostas, afirmando que no Brasil só atuaria pelo Santos e que – corroborando o pensamento de seu representante – apenas sairia para algum gigante europeu. Disse, ainda, acreditar que as suas atuações pela equipe na qual foi campeão paulista poderiam levá-lo à Seleção Brasileira (a julgar pela predileção de Dunga nas últimas convocações por jogadores que atuam em centros periféricos do futebol, será mesmo?).

Ou seja, Lucas Lima em uma só tacada declara sua gratidão ao Santos, enfrenta os interesses dos dirigentes envolvidos em eventual transação e demonstra ter em mente um ambicioso plano de carreira, o qual, a julgar pelas suas ações, passa por firmar o seu nome como ídolo santista, ser convocado para defender o Brasil (e como seria bem-vinda a sua convocação! Nosso meio repleto de jogadores leves e ligeiros carece de um jogador com as suas características de organizador de jogo e de retenção de bola), para, em um futuro (nem tão) próximo, poder realizar o sonho de jogar uma Liga dos Campeões por um grande clube da Europa.

O roteiro está muitíssimo bem desenhado por Lucas Lima. E capacidade técnica não lhe falta. Aguardemos cheios de expectativa o desfecho dessa história, que deveria servir como paradigma.

E segue o jogo.