
Créditos da imagem: Portal Terra
Sou incapaz de uma análise minimamente racional do que eu vi nesse 20 de agosto no templo sagrado do futebol, na festa sagrada do esporte mundial. Não vingamos o 7 x 1, vingamos nossas frustrações, nosso divórcio com aquela que outrora foi nosso maior orgulho, nosso maior símbolo, uma grande e bela paixão. Sofrido, suado, chorado. E como foi chorado. As lágrimas de Renato Augusto, o menino que cresceu do lado do Maracanã, as lágrimas de Rafinha, de Neymar, de Micale. Lágrimas demais, porque foi bonito demais.
O roteiro parecia perfeito. Um gol de Neymar, que podia ser Zico, porque era no Maracanã, pela categoria com que encaixou a bola no lugar que o goleiro não podia pegar. Gol que só podia ser do Brasil. Mas a Alemanha pôde fazer o gol de empate, numa bobeira daquela zaga que não havia tomado gol. O sonho parecia se perdendo com requintes de crueldade (previsto por uma amiga que quase nunca erra) à medida que ia se aproximando a prorrogação – com tantas bolas na trave -, os pênaltis, o Weverton que não chegava nas cobranças dos alemães. No ouro que não chegava há 120 anos, na Seleção que não chegava a lugar nenhum, no Neymar que não chegava a decidir quando mais precisávamos .
Mas roupa suja se lava em casa, e que lugar melhor que o Maracanã? O campeão, perdão por dizer, não voltou. A verdade é que ele nunca saiu dali, nunca saiu daqui. Porque aqui é a casa do futebol, no país que mais sabe de futebol. Até esse domingo, a casa do esporte mundial. Podem chorar, meninos. Podem chorar porque vocês chegaram onde nunca havíamos chegado. E são só meninos, por isso apanham, por isso levam bronca, puxão de orelha, mas hoje também levam toda a alegria que não cabe num Maracanã.
Deixem-me extravasar, deixem-me chamá-los de meninos de ouro. Ouro em casa, ouro em cima da Alemanha, ouro do Neymar, ouro do Micale, ouro dos meninos. Meninos que fazem história e, mais que isso, hoje são a história, escrita com letras… douradas.