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Por consideração aos leitores, penso que era necessário voltar ao polêmico texto “O Santos vem sendo tão mimado quanto o Palmeiras perseguido“, que escrevi no começo do mês e tanta revolta provocou entre os torcedores santistas. Fiquei sabendo que até mesmo profissionais do alvinegro praiano se sentiram ofendidos. Outros desdobramentos foram os textos “Santos mimado? E se…?” (que considero que tratou de pontos à margem do que escrevi) e “Caso Santos x Palmeiras: mitos e mimos“, respectivamente, dos colegas Fernando Prado e Emerson Figueiredo (a quem agradeço por me chamar de “corajoso”).
Jamais tive a intenção de ofender ninguém, nem escrevo para chatear qualquer pessoa. Ainda mais a comissão técnica do Santos, que eu admiro tanto pelo trabalho, quanto pela conduta (Dorival Júnior é um dos meus treinadores preferidos no Brasil, além de sempre ser apontado por todos que o rodeiam como uma pessoa de muito valor).
Posto isso, fiquei impressionado como as palavras “soberbo” e “mimado”, que usei no texto, provocaram tanta ira nos santistas. Falei genericamente, e sobre o momento atual do Santos, ou seja, não falei sobre o clube ou sobre as pessoas que estão lá. Mas sim sobre a relação da “coletividade santista” com o time no momento (e, sinceramente, creio que a reação da torcida corrobora essa visão).
Alguém já parou para pensar quantas vezes o São Paulo foi chamado de “soberbo”? Nunca vi isso provocar qualquer indignação coletiva.
Os torcedores que comentaram o artigo rebateram que o Santos não poderia ser mimado porque “recebe muito menos da TV do que os rivais”. Hummmm, isso significaria, por extensão, que qualquer Flamengo ou Corinthians sempre serão mimados, uma vez que recebem mais do que os outros? Mesmo, por exemplo, o “humilde” (assim era apontado por todos) Corinthians de Tite? Para mim esta correlação é falsa.
Ainda sobre receber menos das TVs, vamos a alguns pontos: no atual Brasileirão, o Santos foi o quinto clube a receber mais pelos direitos de transmissão, atrás somente dos rivais paulistas (Corinthians, São Paulo e Palmeiras, em ordem de valores) e do Flamengo. Isso, mesmo tendo a décima maior torcida (segundo o Ibope), ou a oitava (segundo o Paraná Pesquisas).
O que diriam os santistas no lugar de cruzeirenses e gremistas, por exemplo, que torcem para clubes com torcidas maiores e que recebem menos da TV do que o Peixe?
Enfim, faço esses questionamentos somente para confrontar essa ideia que uma grande quantidade de santistas demonstrou de que estão sempre “contra tudo e contra todos”. Ora, o Santos é um gigante do futebol mundial, e não é à toa que tem uma das (senão a mais, rivalizando apenas com o São Paulo) recheadas salas de troféu do Brasil e jamais foi rebaixado. A noção de se sentir injustiçado é comum e relativa, nos mais diferentes níveis: historicamente o Barcelona se sente injustiçado frente ao Real Madrid na Espanha, ao passo que José Mourinho sempre destacava como o clube merengue vinha sendo prejudicado frente ao blaugrana; gigantes como Milan e Inter pensam que a Juventus é protegida na Itália; e, não raro, escuta-se corintianos reclamando de como o Flamengo seria “paparicado pela mídia”.
O Santos é um colosso, impõe frustrações a todos os demais clubes brasileiros e movimenta centenas de milhões de reais por ano. Diante disso, é importante que todos tenham a consciência de que a pressão e a responsabilidade são enormes, como nos demais gigantes do nosso futebol. Se é verdade que o Santos faz excelente trabalho com uma receita não tão alta, também não é o único: o Botafogo arrecada menos, também está conseguindo se classificar para a Libertadores, e nem por isso está imune a críticas.
Abrindo espaço para todo tipo de discordância em relação ao restante do texto, se é para fazer um mea-culpa, creio que o problema foi ter misturado um elogio ao supostamente “injustiçado” Palmeiras, com a crítica que fiz ao Santos. Em um momento de tanto “nós contra eles” e de tanta polarização no país, isso não é aconselhável.
Para finalizar, o No Ângulo foi criado com a intenção de ser um espaço no qual se discute futebol de forma madura e com independência, acima de “questões clubísticas”. Não foi meu objetivo agredir ninguém, e peço desculpas se alguém se sentiu agredido. Mas tenho a consciência tranquila quanto às minhas intenções e não compactuo com patrulhas, bem como acho que é um caminho muito perigoso o de procurar agradar a todos e se preocupar em não ferir suscetibilidades. Aquele texto pode ter incomodado o torcedor santista, assim como já escrevi, por exemplo, sobre como me pareceu triste e ingrata com o Santos a decisão tomada por Robinho de voltar ao Brasil por outro clube. Como já vi (algumas inclusive no estádio) e ainda pretendo ver muitas outras glórias do Santos, certamente ainda virão outros textos que agradarão aos santistas apaixonados, assim como, provavelmente, não terá sido o último a desagradar.