
Créditos da imagem: UOL
Santos mimado?
O polêmico texto do colunista e amigo Gabriel Rostey sobre como ele vê e entende os momentos que atualmente vivem Santos e Palmeiras repercutiu bastante e gerou muitos comentários, especialmente dos santistas, muitos deles revoltados com o teor da referida coluna.
Embora eu repudie o tom da maioria das críticas realizadas pelos (mimados?) leitores, por democrática e respeitosamente discordar de muito do que foi escrito pelo Gabriel, tentarei, nas próximas linhas, realizar um contraponto às ideias por ele apresentadas:
E se…?
– E se, na final da Copa do Brasil do ano passado, o Santos (de orçamento infinitamente inferior ao do seu adversário, é bom que se diga) tivesse vencido por uma boa margem de gols o Palmeiras no jogo de ida da Vila Belmiro – o que, a bem da verdade, teria sido o “curso natural” daquela partida, caso Gabigol não tivesse perdido um pênalti e Nilson aquele gol histórico? – e fosse campeão, teria Ricardo Oliveira – segundo consta, um sujeito correto e com uma respeitável carreira – sido vítima de um dos maiores bullyings recentes vistos no futebol brasileiro? Muito pouco foi dito à época, mas aquele massacre público com a utilização de máscaras representando o rosto do camisa 9 do Peixe, além de desproporcional, foi uma atitude rasteira do elenco palmeirense, liderada pelo seu presidente;
– Aliás, por falar em presidente, não teria sido mimada a atitude de Paulo Nobre ao comparecer pessoalmente na sede da CBF para reclamar de erros de arbitragem cometidos contra o seu clube no Brasileirão do corrente ano? Ou teria sido ele um “Raposo”? Hummm… E se Modesto Roma tivesse feito o mesmo, será que o Santos teria sido prejudicado da maneira que foi contra o Internacional, em Porto Alegre, naquele que se configuraria como o episódio mais suspeito de toda a competição?;
– E se Modesto Roma (que já havia topado fazer a besteira de transferir a data da final da Copa do Brasil em 2015, no melhor momento santista na temporada) não tivesse vendido o mando de campo na partida contra o rival direto Flamengo? Será que na Vila o Peixe não teria levado os três pontos? Vá lá que o clube esteja em dificuldades financeiras, mas existe hora para tudo, né?;
– E se o Santos estivesse jogando bem (e estava!), a ponto de ceder para a Seleção Brasileira, quase que concomitantemente, CINCO jogadores (Zeca, Thiago Maia, Lucas Lima, Gabigol e Ricardo Oliveira) do seu escasso plantel (o banco do Santos definitivamente não é um “mimo”, não possui nomes caros como Edu Dracena, Arouca, Barrios e outros tantos), não seria justa e correta a boa aceitação – como de fato houve – do time por torcida e imprensa? Qual o problema em se elogiar o bom futebol?;
– Por falar em CBF, e se ela não tivesse prejudicado tanto o Santos na competição (seja durante a Copa América, a Olimpíada, seja no episódio mais recente do cancelamento do jogo contra a Ponte em cima da hora…), até onde o Peixe poderia ter chegado?
Enfim, por essas e outras (como falta de patrocínio e de prestígio nas transmissões televisivas, o que é possível de entender, vez que TV é negócio e o tamanho da torcida naturalmente influencia a audiência) é que entendo que o Santos esteve mais para órfão do que para um filho mimado nesta temporada.
Embora veja acertos na análise do Gabriel quando vejo um Lucas Lima aparentemente deslumbrado e frustrado em 2016 (e como o protagonismo dele anda fazendo falta ao time!), um Santos sendo eliminado de maneira inadmissível da Copa do Brasil pelos reservas do Internacional, e outros acontecimentos que frustraram o torcedor santista (como a falta de “sangue nos olhos” em algumas partidas contra equipes da parte de baixo da tabela), penso que o clube tem mais méritos do que defeitos, especialmente após a chegada do competente Dorival Júnior ao comando da equipe.
Ora, desde a chegada do treinador e do seu especializado staff que o Santos está nas cabeças de tudo que disputa (dois títulos estaduais, um vice da Copa do Brasil, e atual vice-colocação no Brasileirão, além do retorno já garantido à cobiçada Libertadores), mesmo perdendo alguns jogadores importantes pelo caminho, como Geuvânio e Gabigol.
De modo que considero um erro chamar de mimado um clube que tem feito das tripas coração para se manter no topo e que, com méritos (conseguindo segurar Zeca, Thiago Maia, Lucas Lima, Ricardo Oliveira, e revelando outros como Vitor Bueno), vai conseguindo, com um time recheado de inexperientes meninos.
Com a palavra, Gabriel.
(Por um futebol e por uma sociedade mais humana e tolerante com quem pensa diferente)
E segue o jogo.