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No Ângulo | Futebol é preciso

E viva o nosso melhor campeão dos pontos corridos!

20/11/2015

Créditos da imagem: Daniel Augusto Jr. / Divulgação Corinthians

Sim, considero que este Corinthians de 2015 é o melhor campeão que já tivemos na “Era dos Pontos Corridos” (desde 2003), desbancando o Cruzeiro de 2003. E não apenas pelo aproveitamento – que, após a partida contra o Vasco, quando confirmou o titulo, baixou para 73,3%, superando os 72,46% daquele Cruzeiro). Mas por ter mantido uma regularidade jamais vista no Brasileirão disputado nessa fórmula, e ter superado duas vezes o adversário direto.

A campanha até aqui é impressionante (23 vitórias, 8 empates e 4 derrotas), mas fica ainda mais assustadora se pensarmos que começou em meio a dúvidas, saídas de atletas, salários, etc. Se formos considerar a partir da nona rodada, são espantosas 19 vitórias, 7 empates e somente 1 derrota (para o Inter, no Beira-Rio, em partida equilibrada), com aproveitamento de 79%.

Ao contrário de outros anos, em que frequentemente os campeões davam a impressão de “não quererem ganhar”, decepcionando na hora “H” e contando com fracassos dos adversários, este Corinthians deixou claro como o título seria dele e de mais ninguém, até fazer o ótimo Atlético Mineiro perder o fôlego e a convicção.

Todo mundo diz isso, mas é verdade: o maior destaque do título é Tite, sem dúvidas. Conseguiu reconstruir a equipe durante a competição, recuperando da perda de jogadores e de moral, e formou um conjunto tão sólido que tem o melhor ataque a melhor defesa da competição, com um saldo maior que o da soma do 2º e 3º colocados (Atlético e Grêmio, respectivamente). Se antes havia a correta crítica de que suas equipes eram pragmáticas e sem inspiração ofensiva (mas nunca defensivas, na minha opinião), agora não tem mais o que se falar de ruim dele. E, pra completar, passou por cima de desfalques (Fágner, Uendel, Bruno Henrique e Luciano) como se nada fossem, fazendo com que “qualquer Edílson ou Guilherme Arana” mantenha o padrão.

Penso que o Corinthians seria especial assim o ano inteiro, não fossem os problemas com atrasos de salários. O time começou o ano encantando, foi merecidamente badalado, até que despencou (só pode ser pela questão salarial), foi eliminado da Libertadores e muita gente passou a querer reescrever a história e a tratar como se o reconhecimento anterior fosse um engano. Não foi. O futebol era realmente de outro nível. Ao logo do Brasileirão, Tite conseguiu ir retomando o padrão, e na reta final, atingir a mesma excelência de antes.

Prevejo que a campanha não será mantida nessas partidas restantes. Já caiu desde a vitória sobre o Atlético Mineiro, que sacramentou o título, na prática. Talvez deixe de ter aproveitamento melhor que o do Cruzeiro de 2003, mas para os campeões o campeonato já acabou, e após manter o foco de maneira inédita no país, é natural um relaxamento. Isso em nada mudaria o fato de ter sido o melhor campeão brasileiro dos pontos corridos até hoje.