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Dunga anunciou os convocados para os duelos contra o Uruguai e Paraguai, ambos pelas Eliminatórias da Copa de 2018. A nova lista, principalmente se considerado o insucesso brasileiro na última Copa América, quando jogadores que atuavam em centros periféricos e de baixa competitividade (como Everton Ribeiro e Diego Tardelli) foram convocados e renderam abaixo do esperado, surpreendeu pela presença de jogadores que estão, hoje, nessa mesma situação (casos de Gil e Renato Augusto), todos no futebol chinês.
A tal da “nova ordem” anunciada por Gilmar Rinaldi na Seleção logo após a eliminação nos pênaltis para o Paraguai, no sentido de que jogadores nessas circunstâncias deixariam de ser convocados, não se confirmou, o que deve ter pego Elias e Lucas Lima (que recusaram propostas milionárias da China muito em razão do “Projeto Seleção Brasileira”) de surpresa.
Embora seja razoável supor que ambos estejam nos planos de Dunga (Lucas Lima foi convocado e Elias só não o foi por estar contundido), eles devem estar pensando se tomaram mesmo a decisão mais correta ao permanecerem no Brasil. Nesse sentido, acredito que a convocação tenha prestado um desserviço para o futebol brasileiro.
E nem o argumento de uma suposta sequência no trabalho do grupo de atletas convence, já que Gil e Renato Augusto definitivamente não formam a espinha dorsal e não possuem uma história no time de Dunga, embora o meia tenha sido testado como titular (tão somente) no último jogo da Seleção, contra o Peru.
Voltando à lista de convocação, as ausências mais comentadas talvez tenham sido as de Jefferson, Thiago Silva, Lucas Moura e Jonas, o que, com todo respeito aos competentes atletas, demonstra que o nível do nosso futebol não anda lá essas coisas.
Jefferson é um bom goleiro, mas que joga em uma equipe (Botafogo) que há muito não é protagonista e sequer tem participado de grandes jogos. Thiago Silva tem muita fama, mas não rende bem com a camisa amarela. Até para preservar a sua imagem, deve mesmo ficar um tempo de fora. Assim como deveria ficar o atrapalhado e taticamente irresponsável David Luiz. Lucas Moura é uma decepção no PSG (sim, é dessa forma que ele é tratado pela imprensa francesa), mas a boa vontade que temos com ele (e com Oscar, outro xodó inexplicável dos brasileiros) impressiona, de tão despropositada que é. Quanto ao Jonas, concordo que ele sim deveria ter sido convocado, até pela carência atual de bons jogadores na sua posição. O centroavante jogou muito bem por Guarani, Santos, Portuguesa e Grêmio (pelo tricolor gaúcho, foi artilheiro do Brasileirão de 2010) e agora tem números – e atuações – que impressionam pelo gigante Benfica, de Portugal.
Quanto a Kaká, nome questionado por constar da lista, será que não seria mais proveitoso convocar o também experiente Nenê, que, além de poder contribuir nesse sentido, de transmitir segurança aos mais jovens, ainda joga em alto nível, estando entre os melhores em atividade aqui no país? Seria até uma forma de “trazer o torcedor” para o lado da equipe.
E o Gabigol? Com a evolução que tem demonstrado no Santos desde a chegada de Dorival Júnior, com a versatilidade que atua em qualquer das posições da linha de frente do time, será que já não poderia pintar na convocação, talvez, no lugar do Hulk, outro que reconhecidamente pouco rende na Seleção? Lembram que o Ronaldo “Fenômeno” foi para a Copa do Mundo de 94 com apenas 17 anos? Pois então. Será que a joia santista também não merecia ser “trabalhada” nessa mesma linha de pensamento?
De maneira que acredito que tratar a Seleção como “Neymar e mais 22” em nada contribui para o ideal de formação de um elenco. Assim como na política e em todos os segmentos, sempre há uma opção melhor do que a outra. E essa preguiça de se “pensar um time”, que percebo até mesmo em alguns colegas da imprensa, só faz prejudicar o crescimento do nosso escrete canarinho, um patrimônio cultural do país.
Ora, se a Seleção Brasileira não tem hoje a melhor geração dos últimos tempos – e não tem mesmo -, ela pode sim, assim como fez em outras oportunidades, montar um time para lutar pelo título na Copa do Mundo de 2018.
Não existe esse abismo que andam pintando por aí.
E segue o jogo.