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No Ângulo | Futebol é preciso

Para o bem deles e da Seleção Brasileira, Thiago Silva e David Luiz deveriam ficar fora das próximas convocações

06/07/2015

Créditos da imagem: Revista Placar

Quem diria, mas hoje soa até ridículo afirmar que a poderosa e mais cara dupla de zaga de todo o futebol mundial é também a melhor dentro de campo.

Por motivos diferentes, a dupla de zaga titular do Brasil está com a imagem desgastada.

Analisarei um pouco a carreira de ambos para explicar o meu posicionamento de não convocá-los pelo menos neste início de trabalho da Seleção Brasileira visando as Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia em 2018:

Thiago Silva se profissionalizou atuando como volante e começou a ter algum destaque na carreira em 2004, quando fez um ótimo Campeonato Brasileiro pelo Juventude-RS, o que acabou lhe rendendo uma transferência para o Porto. Sem se adaptar, logo foi emprestado pela equipe portuguesa ao Dínamo Moscou, quando enfrentaria talvez o maior drama de sua vida, uma tuberculose que o deixaria seis meses internado e sem a certeza de que voltaria a jogar futebol de maneira competitiva novamente, o que aconteceria em 2006, como jogador do Fluminense. Emprestado para a equipe carioca, a carreira do jogador ganharia novos rumos e mudaria de patamar. Apelidado de “monstro” pela torcida, foi o melhor zagueiro do país e no fim de 2008 foi vendido ao Milan, onde atuou até 2012 e até hoje é tido como ídolo. Pela equipe italiana, Thiago Silva ganhou o respeito e o rótulo de “melhor zagueiro do mundo”, que culminaria em uma transferência milionária ao PSG, seu atual clube.

David Luiz, revelado também como volante pelo Vitória, equipe na qual atuaria por seis temporadas (incluídas aquelas nas categorias de base), foi vendido ao Benfica e, após grandes atuações pela mais tradicional equipe portuguesa, despertou interesse do hoje “todo-poderoso” Chelsea, onde atuaria entre 2011 e 2014, e consolidaria o seu nome entre os maiores zagueiros do planeta, para depois ser vendido ao PSG, em uma transferência que rendeu estrondosos 50 milhões de euros aos cofres da equipe inglesa, simplesmente a maior transação por um zagueiro na história do esporte.

Logo, percebe-se que ao menos em tese temos uma dupla de zaga de respeito. Se considerarmos ainda que atualmente ambos atuam na mesma equipe e gozam de um entrosamento tanto dentro quanto fora de campo então, maravilha, não teríamos com o que nos preocupar. Pelo menos não na defesa. Certo? Errado! Após uma traumatizante Copa do Mundo, Thiago Silva foi de “monstro” a “chorão” após não ter segurado o tranco como capitão da equipe naquela competição, quando chorou de forma quase patética no momento em que o grupo de jogadores mais precisava dele, e David Luiz é apontado como um dos grandes protagonistas do vexatório, histórico e fatídico 7×1 para a Alemanha, quando mais parecia um peladeiro dentro de campo, partindo para o ataque de maneira inexplicável e irresponsável.

E agora, após a também decepcionante campanha na Copa América, quando o único zagueiro do escrete nacional que teve boa atuação foi Miranda (David Luiz perdeu a condição de titular no início da competição e Thiago Silva cometeu o infantil pênalti – colocou a mão na bola – que resultaria no empate do Paraguai e posterior eliminação brasileira nos pênaltis), entendo que ambos viraram uma espécie de “símbolos do fracasso”, quase que os “Barbosas” da nova geração.

Daí a minha percepção de que seria prudente que se esperasse a “poeira baixar” e que o cenário se tornasse mais favorável até que a nossa seleção voltasse a contar com o já demonstrado bom futebol da dupla. Até lá, o excelente e hoje incontestável Miranda poderia compor a zaga ao lado de Marquinhos (outro do PSG!), ou Gil, do Corinthians, que estaríamos muito bem representados.

E segue o jogo.