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No Ângulo | Futebol é preciso

Airton Moreira, o técnico que revolucionou o futebol mineiro

03/05/2016

Créditos da imagem: Blog do Chico Maia

Concluindo o relato de uma pequena parte da história dos “Irmãos Moreira” (foto), trajetória essa dedicada ao futebol, Airton Moreira (o primeiro da esquerda), o mais novo dos três – apesar de menos famoso – deixou o seu nome marcado no futebol mineiro, mais precisamente no Cruzeiro, na década de 60.

Ele foi o responsável por formar uma das maiores equipes da história do clube – o time que ficou conhecido como “Academia Celeste”.

No ano de 1964, foi novamente convidado a assumir o time, pois já era funcionário do clube e pelo qual já havia sido técnico em 1957, e teve a ousadia de promover alguns jovens jogadores, tais como: Natal, Dirceu Lopes, Pedro Paulo, entre outros, formando uma equipe mais leve e veloz.

Diferente dos esquemas mais defensivos praticados pelos seus dois irmãos, Airton prezava um futebol mais ofensivo e, por isso, os jogos do Cruzeiro eram de muitos gols.

Conquistou a Taça Brasil de 1966, contra o Santos de Pelé, com uma vitória incontestável por 6 a 2 no 1º jogo, no Mineirão. No Pacaembu, em São Paulo, no 2º jogo, depois de terminar o 1º tempo perdendo por 2 a 0, virou para 3 a 2 e conquistou o primeiro título de expressão para o futebol mineiro.

Ainda foi campeão mineiro nos anos de 1956/65/66/67.

Está entre os técnicos que mais dirigiu o Cruzeiro – com 200 partidas – obtendo 127 vitórias, 33 empates e 40 derrotas.

Nascido em Miracema (RJ), em 30 de dezembro de 1917, Airton Moreira nos deixou muito novo, aos 56 anos, em 22 de novembro de 1975, em Belo Horizonte. Ele sofria de hipertensão arterial, e após sofrer uma hemorragia cerebral, o treinador não resistiu e veio a falecer. Foi enterrado na capital mineira tendo sobre o caixão as bandeiras dos três clubes da cidade – Cruzeiro, Atlético e América.

“O Cruzeiro era um antes dele. Ficou famoso e respeitado no mundo inteiro sob o seu comando. E não foi mais o mesmo depois que ele saiu”, publicou o jornal Estado de Minas, três dias depois de sua morte.

Na época do ocorrido, trabalhava com o irmão Zezé, sendo o seu auxiliar no comando técnico do time Celeste. Ele deixou a viúva Ione e três filhos: Paulo, Marcos e Júlio. O mais novo – Júlio – chegou a trabalhar como preparador físico, inclusive, com o tio Aymoré, no futebol baiano no início dos anos 80.

Airton também foi jogador, atuava como zagueiro e apesar de pouca técnica, demonstrava muito vigor físico.

Começou no juvenil do Botafogo (RJ) e passou pelo Atlético Mineiro, onde foi campeão estadual, Aeroporto, de Lagoa Santa (MG), e Náutico, time pernambucano pelo qual encerrou a carreira, em meados dos anos 40.

Já em 1946, iniciou a sua carreira de técnico no Metalusina, da cidade mineira de Barão de Cocais. Posteriormente, seguiu sua trajetória treinando os seguintes times: Tupi e Sport – ambos de Juiz de Fora – Bangu (RJ), Atlético Mineiro – em três oportunidades e bicampeão mineiro em 1949/50 – Villa Nova (MG), América (MG), Cruzeiro – em duas oportunidades – Bela Vista (MG), Valeriodoce (MG) e Vila Nova, de Goiás – último time que dirigiu, em 1974.

Como já foi dito acima, retornou ao Cruzeiro em 1975, para ser o auxiliar técnico de seu irmão Zezé Moreira.

A história do futebol brasileiro reserva um capítulo especial a esses três irmãos que dedicaram a maior parte de suas vidas a esse esporte que o seu pai – o farmacêutico Alfredo Moreira da Silva – detestava e nem de longe imaginava um de seus filhos praticando-o.

Aderbal Moreira – o outro irmão – enveredou-se pelo mundo da música e foi um respeitado e exímio tocador de “saxofone barítono”, de nível internacional.

Apesar de esquecidos em sua própria terra, Miracema tem muito que se orgulhar de seus filhos famosos e geniais!

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