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Embora o clube mais popular de São Paulo tenha entre suas principais características a de lutar até o apito final, assim colecionando vitórias “impossíveis” e viradas épicas, a edição 2016 do Corinthians de Tite até agora não apresentava nada disso. Pelo contrário: por vezes parecia uma equipe um tanto quanto fria e conformada.
Vendo de fora, tenho a sensação que um dos motivos para isso é o de Tite incutir tanto nos jogadores o apreço pelo merecimento em campo e pelo desenvolvimento da mecânica da equipe, além do respeito pelo adversário, que faz com que enxerguem o resultado da partida quase como que uma consequência matemática do desempenho em campo. Então, se não conseguem se impor na bola e jogar mais do que o adversário, “paciência, não deu”, não apelam a chutes de fora da área, “chuveirinho”, estimular a pressão da torcida, etc. É como se não houvesse aquele inconformismo com a derrota que permite que alguns times consigam “na marra”, seja como for, o resultado buscado.
Some-se a isso o elenco numeroso e homogêneo, sem grandes destaques individuais, que gera certa rotatividade de vagas; a falta de titulares com grande experiência no futebol e recheados de títulos (Elias é o único que se encaixa nisso); e a falta de referências ofensivas consolidadas e identificadas com o clube (visto que só desde o começo de 2015 o clube perdeu Guerrero, Emerson, Jadson, Renato Augusto, Malcom e Vágner Love), e temos uma combinação de fatores que leva a uma postura mais omissa em momentos de adversidade.
A virada contra o Coritiba, com gols aos 44 e aos 49 do minutos do segundo tempo, veio pela determinação de jogadores que começam a ter a confiança de que não podem aceitar o resultado adverso. Ainda assim, o segundo gol, por exemplo, veio de uma excelente infiltração do lateral-esquerdo Uendel (ótimo jogador, aliás!), “à la Sorín”, que bagunçou toda a defesa da equipe paranaense, e não de um “chuveirinho” qualquer. Parece que quase tudo nas atuais equipes de Tite é feito de maneira consciente. Mas agora, com mais alma.
Ainda que faltem jogadores de frente mais “cascudos”, acostumados com troféus e protagonismo, se Luciano readquirir a forma de antes da lesão sofrida no ano passado, este novo quarteto de ataque formado por ele, Marquinhos Gabriel, Giovanni Augusto e Guilherme é bastante talentoso e tem tudo para se firmar como um dos melhores do país.
Começando a criar um histórico de superações que serve como referência para que o time aprenda na prática que tem força e atitude para mudar resultados adversos, prevejo que este novo Corinthians pode sonhar bem alto. Mais uma vez.