
Créditos da imagem: Gabriel Uchida
A recente coluna que escrevi a respeito do clássico Corinthians x Santos, “Santos: um balcão de negócios? E Corinthians na briga”, rendeu um comentário genial do colega de site Gabriel Rostey, que transcrevo a seguir:
Só discordo de quando você diz “Mas o que se pode esperar de torcedores fanáticos? Para eles, a emoção sempre fala mais alto do que a razão”.
Penso que não se trata sequer de emoção. Acho que eles agem dessa maneira por causa da cultura própria desse meio de “torcedores fanáticos”, em que realmente gostam de parecer mais irracionais do que são, gostam de parecer mais impacientes do que podem ser, etc. Quanto mais parecer que “aqui neste clube a pressão é grande!”, para eles, melhor. É quase que a “irracionalidade ostentação”.
Pois é, tendo a concordar com o Gabriel. Ao que parece, “pega bem” entre alguns torcedores soltar bravatas, gritos de ordem e determinar o que é certo ou errado. Uma grande bobagem que, na cabeça deles, serve como uma espécie de “atestado de amor pelo clube”.
Mais ou menos na linha dos que acreditam que, por frequentarem o estádio, amam mais o clube do que os “torcedores de televisão”. Outra grande tolice (lembrando que sou sócio do meu clube de coração, proprietário de cadeiras cativas e estive até no Japão para apoiar o meu time).
Veja, o fato de o Santos ter sido dominado – e realmente foi – pelo Osasco Audax, na final do Campeonato Paulista, foi considerado IMPERDOÁVEL por alguns torcedores. Como se isso apequenasse o clube, fosse uma afronta à sua rica história. Ora, será que o revolucionário (ainda que por um campeonato) time comandado por Fernando Diniz não teve os seus méritos por ter “colocado na roda” todos os grandes do campeonato? São Paulo e Corinthians que o digam!
Mais uma que ouvi, essa depois do jogo contra o Corinthians: “ah, jogar sem atacantes foi o maior ato de covardia da história do clube, não podemos aceitar isso”. “Aceitar”, é isso mesmo? Confesso que também não gostei da escalação, mas será que o Dorival (que, em situações normais, destaca-se por sempre privilegiar o DNA ofensivo do Santos) não sentiu, pelo mau momento da equipe, que algo de muito ruim poderia acontecer? Todos lembram do “7×1” do Corinthians de Tévez e Nilmar sobre o Santos de Saulo e Nelsinho Baptista, não? Pois é… Sem falar que o experiente Elano sabe jogar avançado (foi artilheiro na Índia nessa função) e a estratégia cautelosa, sem centroavante, quase (quase mesmo) rendeu um ponto em Itaquera, onde o Corinthians costuma vencer todos os seus adversários.
Teve também quem dissesse que Dorival sabia desde o início do ano que perderia os seus três principais jogadores para a Seleção de Dunga e que nada planejou, dizendo-se satisfeito com os jogadores que tinha em mãos. Ora, esse argumento, além de falso, é covarde e cínico. Quem, àquela altura, poderia imaginar que Gabigol (!) estaria na Seleção principal? E qual comportamento um técnico poderia ter que não o de elogiar e valorizar o seu plantel em público? Segundo consta, em “off”, nos bastidores, o treinador sinalizou a necessidade de enriquecer o elenco, mas as suas vontades foram atropeladas por interesses dos mais duvidosos da diretoria.
Fora os que falam mal dos jogadores veteranos (como o bom Valência, que se contundiu e só não está jogando pois a dupla titular está “voando”) de acordo com a conveniência, “esquecendo-se” que Vanderlei, Renato e Ricardo Oliveira não são “Meninos da Vila”. Tampouco Lucas Lima, o craque do time. Poxa, nem todos são “Ledesmas”, há sempre de se analisar o caso concreto para que não se cometam injustiças.
Outra covardia é de quem alega que há times no campeonato que, com elencos piores que o do Santos, não estariam jogando tão mal quanto a equipe santista… Isso é uma “meia-verdade”. Esse pessoal parece esquecer que futebol tem uma engrenagem, que ele não é “mágico”. Imagine se o Barcelona perdesse de uma vez só o trio MSN? Aposto que o time de Luís Enrique também levaria um tempo até que as coisas voltassem minimamente aos trilhos. A boa vitória contra o Botafogo indica que as coisas devem melhorar pelos lados da Vila Belmiro. Como tem acontecido com o Corinthians, que também viu parte de sua torcida reclamar – acreditem – de Tite e agora, com um elenco todo modificado, lidera (!) o Brasileirão.
Haja paciência com as torcidas brasileiras, viu?!
E segue o jogo.
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