
Créditos da imagem: Reprodução / ESPN Brasil
Lá fomos nós, eu e meu irmão mais novo, ambos santistas, ao Pacaembu.
O jogo era Santos e Portuguesa. Um domingo de sol, céu azul. O jogo começa e a surpresa vem junto. A Lusa tinha contratado Oto Glória como técnico, um dos grandes à época. Ok, mas o Santos estava mandando tudo naquele ano.
Pois bem, começa o jogo, a Lusa se mexe melhor do que se podia esperar. Viradas de jogo surpreendentes, velocidade inesperada e eis, que, lá pelos 15 minutos, sai o primeiro gol — da Portuguesa.
Logo depois, eu vi um lance de que me lembro até hoje, passa como um filme na minha memória. Num ataque do Santos, a bola circula, triangula, até que, num certo momento alguem dá um passe errado e a bola cai no pé de um zagueiro, que decide isolar a esfera com toda a força, isolar, mesmo.
Só que o chutão, em vez de voar alto, saiu reto. Qualquer pessoa ante aquela bola, tentaria se esquivar ou se proteger, porque a chance de aquela bolada machucar era grande. Pois o rei não apenas percebeu o erro do desvio como, estando na trajetória da bola, matou aquele chutão no peito e saiu jogando.
Mesmo com esse sinal de magia iminente, o que ocorre? O segundo gol da Portuguesa.
Consegui convencer meu irmão de que aquele não era um bom dia para o Santos, mas poderia ainda ser um bom dia no clube.
No ônibus, um radinho ligado contou que o Santos tinha marcado, logo no início do segundo tempo. Quando descemos no ponto perto de casa, outro radinho deu conta do gol de empate do Santos. Assim que chegamos em casa, pimba! O Santos havia virado o jogo e vencido a Lusa por 3 a 2.
Não fomos ao clube, meu irmão e eu. Ele, contrariado por ter perdido a virada. Eu, péssimo, por ter sido agente da perda.
Aprendi, desde então. Mas sigo tendo essa experiência como dosador na hora de tomar decisões. Timing é tudo, afinal.
https://youtu.be/J92qytQUxc8