
Créditos da imagem: Arte UOL
Depois dos espetáculos da Champions League sendo valorizados como devem ser, é uma tristeza ver os cinco representantes brasileiros na Libertadores jogarem na mesma noite. Não bastasse termos que aturar quatro meses de partidas desinteressantes e de baixo nível técnico pelos enfadonhos estaduais, quando chega a hora de desfrutarmos dos grandes jogos, aqueles que deveriam ser falados por dias, um é concorrente do outro!
É desoladora a falta de estratégia: estamos vindo de semanas de eliminatórias pelos estaduais e de jogos decisivos pela fase de grupos da Libertadores, para no domingo termos uma série de campeões estaduais, na quarta vermos três partidas envolvendo os cinco representantes do país no mata-mata da principal competição do continente, no fim de semana começar o Brasileirão e na quarta-feira seguinte termos novamente todos os brasileiros da Libertadores jogando na mesma noite. Depois, virão meses de “barriga”, com o Brasileirão sendo intercalado com poucas partidas pela Copa do Brasil e Sulamericana. Dá desgosto…
A boa notícia é que tivemos estádios cheios e emoção em campo! Ao menos nos duelos disputados em solo tupiniquim. Porque no Paraguai, o inexplicável Corinthians conseguiu complicar muito a sua situação. O alvinegro segue na sua derrocada, iniciada no intervalo da partida contra o Santos (pelo Campeonato Paulista, quando fez um excelente primeiro tempo e depois nunca mais jogou bem), e não se sabe até onde esse poço pode ir.
Vejo muita gente ridicularizando os elogios outrora feitos ao time de Tite (que atingiram o auge após o 4 x 0 contra o Danúbio) e fazendo piadinhas com o que foi falado sobre a equipe “ter nível de Champions League”. Continuo achando os elogios plenamente justificáveis visto que foram fruto não só de resultados impressionantes, como de bom futebol. O que não dá é para que alguém ache natural que nas últimas sete partidas a equipe colecione quatro empates (um deles resultando na eliminação do Paulista, em casa, para o Palmeiras), duas derrotas e somente uma vitória (contra a Ponte, quando foi favorecida pela arbitragem). O aproveitamento baixou de 89,5% para 33%.
Não acredito em “corpo mole” do elenco pelos absurdos atrasos salariais. Não numa Libertadores. Tenho a sensação de que afetou o ambiente. Agora, mesmo 100%, será difícil, principalmente considerando que se sofrer um gol, terá que fazer quatro. É claro que o time tem totais condições de se classificar e que o confronto está aberto, mas o Guarani do Paraguai (que vexame!) é favorito a ficar com a vaga (dou 60% x 40%).
O Morumbi lotado recebeu o maior público do Brasil pós-Copa do Mundo (mais de 66 mil pessoas) e viu o São Paulo se impor contra o sempre consciente Cruzeiro. Fico impressionado como as características dos clubes comumente pesam no time, e pensei nisso ao ver a equipe mineira tocando bola calmamente, mesmo apertada pelo rival paulista, o que costuma ser uma característica histórica do time celeste.
Pela terceira vez na temporada o Tricolor mostrou espírito de competição (as outras foram contra o San Lorenzo e o Corinthians, no Morumbi, também pela Libertadores) e, com Centurión no lugar do Luis Fabiano, mostrou-se mais dinâmica do que o habitual. Há tempos defendo que o argentino – que estranhamente nunca tem sequência na equipe – é peça fundamental do elenco. O São Paulo explorou principalmente o jogo aéreo para criar oportunidades contra um Cruzeiro que soube se portar para quem queria apenas um empate, mas não teve ousadia para mais e viu um Fábio decisivo até o gol marcado por Centurión, já no final da partida.
A partida de volta é de difícil prognóstico, principalmente porque são duas equipes ainda em busca de uma identidade/formação ideal. Vejo a série como totalmente aberta, e uma vitória simples do bicampeão brasileiro já leva a disputa para os pênaltis. Entretanto, como gosto de dar palpite, creio que o São Paulo é favorito à classificação, pois já tem a vantagem (que pode ser multiplicada com um gol como visitante), e o Cruzeiro – ainda em construção – também não tem tirado tanto proveito do fator casa (como contra o Huracán e o Atlético, pela semifinal do Mineiro). Também vejo como 60% a 40%.
E no Independência foi disputada uma partida frenética e surpreendente entre os dois brasileiros que atualmente vejo em mais condições de vencer a competição. O Inter do ousado técnico uruguaio Diego Aguirre saiu com um resultado excepcional contra o sempre imprevisível Atlético (que poderia ter sido ainda melhor não fosse o gol de empate do Galo já nos acréscimos do segundo tempo). Merece destaque a atitude do Colorado, que não se contentou em especular, mesmo no temido Horto. Foi muito bom ver uma partida entre dois times que buscavam a vitória e não tinham medo de atacar. Outro ponto que chama a atenção é o elenco colorado, que sem Nilmar, viu brilhar o substituto Lisando López, além do iluminado Valdívia.
Obviamente o Inter deve ficar com a vaga, afinal, começa a partida de volta, em casa, com um resultado que já o classifica. Mas em qualquer situação eu entendo que, entre grandes, uma vitória simples pode sair em qualquer lugar, e ainda mais com esse milagroso Atlético Mineiro (como provou contra o bom Santa Fe, mesmo na Colômbia). Para mim, 75% a 25% para os gaúchos.