
Créditos da imagem: Portal Terra
Depois da era dos super técnicos, encabeçada por Luxemburgo e Felipão no Brasil, foi criada uma onda de antipatia pela figura dos milionários treinadores do país. Explico: virou quase obsessão de grande parte da nossa imprensa esportiva passar a destacar reiteradamente que “os jogadores que são os artistas”, que “dentro de campo é que se decide” e coisas do gênero. Muitas vezes apenas para tentar diminuir a importância dos “professores”. E isso perdura até hoje.
Vanderlei Luxemburgo, um dos técnicos brasileiros mais visionários de todos os tempos, quem, entre outras coisas, consolidou no país a ideia de jogo com volantes de qualidade (vide Rincón, meia utilizado por ele em função mais recuada) e percebeu antes dos demais a importância de se ter grandes plantéis nas disputas de torneios por pontos corridos (e por isso “cansou” de ganhar títulos dessa maneira) era, na sua fase produtiva, “o” cara das equipes que treinava. Àquela altura, contratar Luxemburgo e sua “trupe” era praticamente uma garantia de conquistas. Assim como era com Felipão e sua “Família Scolari”.
Se ambos “pararam no tempo” e hoje já não estão entre os melhores (e não estão mesmo), isso é outra coisa. Mas não reconhecer a representatividade de cada um e se deixar levar por um sentimento de revanchismo (seja pelo aspecto pessoal, seja pelo “7×1” etc) soa, no mínimo, como imaturidade.
Tudo isso para defender o meu voto para craque do Brasileirão, o qual, desde o título da coluna, o leitor já sabe que vai para Tite, o comandante do campeão (ou alguém ainda duvida?) Corinthians.
Não que Jadson, Ricardo Oliveira ou até mesmo Gil não mereçam o posto, mas é Tite quem mais faz a diferença. O treinador corintiano parece ter conseguido incutir duas coisas muito especiais na cabeça de seus jogadores: senso de coletividade e espírito de campeão.
Seja com Guerrero, Luciano ou Vágner Love, o padrão se mantém. O time vem antes da individualidade. Algo que ouvimos tanto e vemos tão pouco. E que fez de um time com os jovens Felipe, Guilherme Arana e Malcom parecer – e de fato ser – um time maduro e consciente, que sabe o que quer.
A impressão que dá é que o Corinthians “dá de ombros” quando algum jogador do seu elenco não pode atuar. É claro que com Jadson, Gil, Elias, Renato Augusto e Cássio o caminho tende a ser mais fácil, mas, quando não pode contar com algum deles, o treinador corintiano sempre tem a solução.
O Campeonato Brasileiro de 2015 tem tudo para ser lembrado como o do “Corinthians de Tite”.
Justo.
E segue o jogo.