Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

Tite, a razão e a emoção: o que tem de mais hipócrita neste mundo?

08/03/2017

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

“Pensar com inteligência, sentir com emoção”. Esse trecho da música “Esportes Radicais”, composta por Humberto Gessinger, é brilhante na dialética eterna entre a razão e a emoção. Dissociar as duas principais características humanas é tão inviável que faz parecer patético aquele que o tenta.

Nesse sentido, Nietzsche afirma que a razão retira a emoção da vida. Em todos os meios da vida, podemos nos deparar com o dubitável comportamento que se encaixa entre razão e emoção – inclusive no futebol. Talvez seja por isso que o profissionalismo no meio do futebol ganha ares de hipocrisia, obscuridade. Talvez seja exatamente por isso que ele seja o anti-clímax do futebol.

A visita de Tite a Itaquera no último sábado fez parte da agenda itinerante do técnico canarinho, que passeia por gramados de todo o mundo à vista de jogadores de seu escrete. Em Itaquera, um adendo a mais: o próximo jogo da Seleção, no Brasil, será em São Paulo, exatamente na Arena Corinthians.

Mas o fato aqui não é a Seleção. Tite, não nega a ninguém, é corintiano de coração. Ninguém passa impunemente por tudo o que ele passou nestes anos de Corinthians. Entendimentos entre emoções e razões ficam muito aquém do que se pode dizer sobre os anos dourados do treinador gaúcho no comando do alvinegro.

Acima de tudo, Adenor Bacchi é humano. Comemorar o gol do time que o consagrou no cenário mundial é mais do que natural. Não há anti-profissionalismo nem incorreção política. É o amor pelo esporte, é a gratidão pelo clube e pela torcida que o tornou verdadeiramente uma lenda viva da história de um dos maiores clubes do futebol brasileiro, senão do mundo.

Assusta-me que importantes nomes do jornalismo esportivo brasileiro levantem críticas contra ele. Expoentes da hipocrisia, jornalistas esportivos se negam a dizer qual o seu time, como se todos acreditássemos realmente que a imparcialidade funciona nesse meio.

Aberrações profissionais.

De Nietzsche a Tite, há muito o que aprender. Vale mesmo a pena fingir-se tão racional?