Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

Se pagar o que deve ao elenco, Santos tem tudo para navegar em mares mais calmos

26/07/2015

Créditos da imagem: globoesporte.com

O Santos jogou muito bem e conquistou com méritos o Campeonato Paulista (no início, sob o comando do competente, mas infeliz nas declarações públicas sobre o elenco santista, Enderson Moreira, e, posteriormente, pelo esforçado interino Marcelo Fernandes).

No entanto, após uma série de acontecimentos que listarei nas próximas linhas, o alvinegro praiano acusou o golpe e até agora só faz decepcionar a sua torcida no Campeonato Brasileiro.

A saída de Robinho

Embora tenha sido coadjuvante de Lucas Lima e Ricardo Oliveira na conquista do estadual, é inegável a liderança que Robinho, enquanto estrela-maior do elenco, exercia sobre os demais atletas. O time ficou sem identidade e confiança após a sua saída, incluindo-se aí o então treinador Marcelo Fernandes.

Cadê os experientes?

No início do Brasileirão, o elenco santista perdeu Robinho para a Seleção Brasileira que disputou a Copa América (e que na volta anunciaria a sua decepcionante ida ao futebol chinês) e, por contusão, o colombiano Valência (que também esteve com a sua seleção e lá se contundiu gravemente), Vanderlei (fora desde a metade do Campeonato Paulista, mas já de volta à equipe titular), Chiquinho (possivelmente o melhor de sua posição no Campeonato Paulista e ainda em recuperação) e, mais recentemente, Renato (que já retornou aos gramados e tem jogado o fino da bola no meio de campo santista).

Oras, foram cinco (!) jogadores experientes fora. E o Santos sentiu. Insistindo em jovens notoriamente despreparados e possivelmente sem nível técnico para atuar pela equipe profissional (entre eles Daniel Guedes e Lucas Otávio), Marcelo Fernandes viu ali o início do fim.

Aliás, a merecida “pecha” de clube revelador de talentos que o Santos possui faz com que muitas vezes os seus dirigentes depositem demasiada confiança em jogadores medianos e incapazes de corresponder às expectativas de um clube grande. Seria recomendável lembrar que a mesma base que revelou estrelas da estirpe de Pelé e Neymar, “revelou”, também, João Fumaça e Adiel. Ou seja, a grife da base santista não é garantia de sucesso. Gabigol, por exemplo, precisa definir para qual dessas “linhagens” pretende adentrar: se a dos craques efetivos ou a das eternas promessas.

Sai Marcelo Fernandes, entra Dorival Júnior

Ok, ainda é cedo pra afirmar. Mas a julgar pelo bom futebol apresentado pela equipe desde a estreia do novo treinador (mesmo na derrota para o Palmeiras), parece que Dorival Júnior e Santos dão liga e têm química.

Tomara que o comandante – que tem boas ideias, gosta de jogar ofensivamente e tem bom trato com imprensa e jogadores – consiga dar uma nova guinada na carreira, a qual foi abruptamente interrompida após o conturbado episódio de sua saída daquele encantador Santos de 2010 (quando foi xingado por Neymar dentro de campo e quis deixá-lo de fora de um clássico contra o Corinthians, com o que a diretoria da época não concordou e o demitiu). De lá pra cá, Dorival jamais se reencontrou. Foi, a rigor, o seu último grande trabalho.

Tem tudo pra melhorar, mas dinheiro é preciso

O cenário está melhorando. Jogadores estão saindo do estaleiro (Vanderlei e Renato já voltaram e Chiquinho e Alison estão em reta final de recuperação); Dorival chegou mostrando serviço; Robinho parece ter ficado pra trás e Leandro, aquele de Grêmio, Palmeiras e Seleção Brasileira está em vias de ser contratado (hoje em baixa, o contestado jogador já mostrou potencial e é jovem. Pode dar certo, assim como deu Arouca, que veio desacreditado do São Paulo após uma troca com Rodrigo Souto e viveu grandes momentos com a camisa santista).

Além disso, o melhor meia do futebol brasileiro na atualidade, Lucas Lima, não foi vendido. 

No entanto, tudo cairá por terra se a diretoria não cumprir a promessa de acertar os salários atrasados. Se não o fizer, o inédito rebaixamento poderá acontecer.

E segue o jogo.