
Créditos da imagem: The Walking Dead
Nunca gostei do Falcão como comentarista esportivo.
Nada contra o “Rei de Roma”, conhecido pelo seu fino trato e por se portar como um verdadeiro gentleman dentro e fora dos campos.
Mas a pobreza de suas análises futebolísticas, as quais invariavelmente apelavam para a palavra “qualidade”, tiravam-me do sério.
Era um tal de “qualidade pra cá”, “qualidade pra lá”… E quando não era a tal “qualidade”, era a falta dela.
De modo que assistir aos jogos em que Falcão estava escalado passaram a ser um passatempo divertido para mim, de tão previsíveis e rasos que eram os seus comentários (lembro do meu pai e eu brincando e especulando sobre o que seria do ex-craque caso a palavra “qualidade”, como num passe de mágica, fosse abolida do nosso idioma).
Bom, lembrei de tudo isso porque hoje, em razão da polêmica arbitragem de Corinthians x Palmeiras – que foi sim muito determinante para o resultado final da partida -, li e ouvi muita besteira por aí.
Infelizmente, constatei que alguns formadores de opinião do jornalismo esportivo assumiram uma postura de que “de extracampo eu não falo”, “há muito barulho por nada”, “é preciso falar do jogo”, “precisamos resgatar a qualidade do nosso futebol e falar do que realmente interessa” e todo aquele blá blá blá que simplesmente não dá mais para aguentar.
Ora, como ignorar algo que muitas vezes determina o resultado de uma partida? Como tirar a arbitragem do contexto do futebol?
Gente, há casos em que a atuação de um árbitro precisa sim ser muito debatida. Claro, de preferência sem aquelas teorias babacas de conspirações (alimentadas por tipos como Neto e Chico Lang) e sem aquela animosidade e irracionalidade (leia aqui) que hoje infelizmente fazem parte do nosso futebol.
Não à alienação! E não à patrulha sobre o que deve ou não ser discutido. Sob pena de nos transformarmos em verdadeiros zumbis!
Enfim, penso que até por respeito ao público é necessário o debate. Ainda que, como muito bem define o colega Gabriel Rostey, “não exista verdade absoluta em arbitragem. Só em impedimento e lance de se a bola entrou ou não, mão escancarada na bola etc. Esse negócio de querer DECRETAR que uma coisa foi certa ou errada, é meio imaturidade para mim, sempre achei que era uma abordagem errada”.
Para concluir, é lamentável ver comentaristas se comportando como meninos mimados e rebeldes quando questionados sobre os ocorridos no tal extracampo: “hunf, sobre isso eu não falo”.
O que eles querem, afinal? Querem dar uma de cool guy, de bacaninha, de antenado com o que acontece lá fora?
Ahhh, tenham dó.
E segue o jogo.
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