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No Ângulo | Futebol é preciso

O segredo é a estrutura

15/03/2016

Créditos da imagem: UOL

Sempre achei que colunista não deveria comentar resultados. Relatar jogos é trabalho do repórter destacado à cobertura de uma partida. A ele cabe falar o que viu em campo. Pronto.

Mas os resultados podem maquiar um mau trabalho dos times, ou dar destaque exagerado a tropeços ou vitórias ocasionais. São momentos factuais. Cabe ao colunista fazer uma análise mais abrangente do que acontece por trás das derrotas, vitória e empates.

É esse pensamento que me guia nessa estreia (como colunista fixo) aqui no No Ângulo. Falar sobre os diversos fatores que cercam os desempenhos dos times.

E acho que ainda é cedo para fazer qualquer prognóstico em relação aos brasileiros na Libertadores. O que nos resta é falar um pouco sobre o que estamos vendo nessas primeiras rodadas. O Atlético-MG tem tido um desempenho acertado. Fez sete pontos em nove possíveis. Ganhou uma fora, outra em Minas e empatou no campo do adversário. O Grêmio ganhou uma em casa, perdeu outra fora e empatou fora. O Corinthians ganhou duas (uma fora e outra em casa) e perdeu no Paraguai. O São Paulo teve uma derrota vexatória em casa contra o The Strongest, mas se recuperou empatando em Buenos Aires contra o River. O Palmeiras ganhou e perdeu em sua arena e empatou uma fora.

Como vemos, o Atlético está acima do que se espera. Grêmio e Corinthians estão na média. Palmeiras e São Paulo estão abaixo.

Tirando os mineiros e os gaúchos, vou me concentrar no Trio de Ferro paulista. Temos aí três casos bem diferentes. O Corinthians, que vem de um histórico de sucesso nos últimos anos, perdeu sete titulares: Gil, Ralf, Renato Augusto, Jadson, Malcon, Love e o contundido Elias. Tinha tudo para fracassar. O São Paulo perdeu jogadores em um time que penou em 2015, e que mesmo assim conseguiu uma vaga na Libertadores. O Palmeiras mostra que contratar no atacado nem sempre é sinal de sucesso. A diferença entre eles está no planejamento. Enquanto o Corinthians mantém a mesma equipe técnica, chefiada por Tite, São Paulo e Palmeiras mudam sem nenhum tipo de lógica. O Tricolor teve nos últimos dez meses Muricy Ramalho, Milton Cruz, Osório, Doriva, Milton Cruz e Bauza. O Palmeiras contratou mais de 30 jogadores, demitiu Dorival, contratou Oswaldo de Oliveira, Marcelo Oliveira e agora fechou com Cuca. Ou seja, quem mexeu demais está tendo resultados inferiores. Está aí o que difere os desempenhos. O Corinthians tem um time aparentemente inferior aos adversários paulistas, mas se mantém com base na estrutura ajustada. O Tricolor, que sempre foi exemplo de organização, peca na mudança constante, sem análise de perfis dos treinadores. Palmeiras acha que o time é excelente e que os técnicos são os culpados.

Não gosto de fazer previsões, mas é possível antecipar, pelo que temos visto até agora, que os times que mantiveram suas estruturas (mesmo com a troca de técnico no Atlético) terão mais sorte do que os que acham que trocar comissão técnica a todo momento é a melhor solução.