
Créditos da imagem: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Não, eu não acho que “a culpa era do Cristóvão”. Obviamente a responsabilidade é da diretoria, que promoveu mais um desmanche no elenco. Para confirmar isso, até as saídas de Bruno Henrique, Luciano e André (aos quais ainda se somaria Elias, o melhor do time, uma semana depois), o Corinthians estava na terceira colocação do Brasileirão com 37 pontos, atrás somente de Palmeiras, com 40, e do Atlético, com 38. Ou seja, mesmo sob tanta desconfiança, brigava efetivamente pelo título.
Penso que mais do que a qualidade dos atletas (mesmo considerando que Elias, em que pese um ano cheio de lesões, era dos grandes jogadores do país), o desabamento se deve pelo clima de fim de feira, de eterna reconstrução. De que, afinal, de nada serviria lutar por grandes objetivos na competição, uma vez que a diretoria abriu mão da disputa pelo título por questões financeiras.
Para explicar isso em números: até o início da debandada, Cristóvão tinha 6 vitórias, 3 empates e 3 derrotas no comando do alvinegro, um aproveitamento de 58% dos pontos. Após, 3 derrotas, 2 empates e 1 vitória, aproveitamento de 28%.
Mas, diante da constatação de que o novo desmanche era realidade, o que deveria fazer a direção do clube? Contemplar o ex-postulante ao título virar saco de pancadas, ver o ano acabar melancolicamente – condenando já 2017 – e não fazer nada? Principalmente ainda estando em plenas condições de, em caso de alguma estabilização mínima, lutar por uma eventual quinta vaga para a Libertadores, além da disputa pela sempre imprevisível Copa do Brasil.
Convenhamos que se a culpa não era de Cristóvão, tampouco ele a evitava. Desde que assumiu, o sistema defensivo piorou horrores, nunca se sabia qual era o time titular (o que impacta na confiança dos atletas) e as substituições durante os jogos eram péssimas. A torcida o rejeitava em peso (e, por favor, que não se fale em racismo, o que tem servido como um verdadeiro escudo para os maus trabalhos do treinador) e fatalmente ele não seria mantido no cargo para a temporada que vem.
Creio que o futebol é muito dinâmico e frequentemente é necessário apelar a fatos novos. O que em nada muda o fato de que a atual diretoria está colocando o clube em um rumo cada vez mais preocupante, que está claro que este grupo político já deu o que tinha que dar, e que uma alternância de poder é necessária.
Diante de tudo isso, quem sabe a mudança para o ex-auxiliar Fábio Carille não pode marcar o início de uma nova fase, com as expectativas adequadas após o choque de realidade, e garantir uma improvável vaga na próxima Libertadores? Caso contrário, não consigo imaginar nada de pior acontecendo do que vinham sendo os últimos jogos com o ex-treinador…