
Créditos da imagem: Gazeta Esportiva
Os últimos jogos do São Paulo, digamos os deste ano, incluindo os importantes empates contra o The Strongest, em La Paz, o diante do River Plate, em Buenos Aires, e a vitória sobre os hermanos, no Morumbi, reforçaram a análise que o time é apenas razoável, para o gosto do torcedor comum, e fraquíssimo, para as exigências, saudáveis e merecedoras de elogios, dos são-paulinos.
Sim, os são-paulinos – digo com total isenção, posto que neutro – não se contentam em ver 11 jogadores vestindo a camisa tricolor. Exigem que sejam de alto nível. Essa é uma diferença importantíssima, que explica porque outras torcidas aceitam chorar nas arquibancadas seguidas derrotas e a são-paulina só quer saborear vitórias. Pagar para sofrer é masoquismo.
Mas não foi apenas tratar-se de um time apenas razoável que os resultados serviram para consolidar minhas análises. Serviram, também, para deixar claríssimo que em muitas oportunidades o time ficou – e aí acho que de forma proposital – longe de se mostrar razoável. Foi medíocre, melancólico e irritante, imagino, para sua exigente torcida, e, por isso, inteligente.
Nenhum time com boa dose de brio e sangue quente nas veias, se deixa golear por 6 x 1 pelo Corinthians, formado ou não por reservas, apanha de 4 x 1, já nem me lembro de que time do interior, modesto na sua formação e nos salários, pagos, provavelmente com atraso. E mais, vê repetir goleada pelo mesmo placar, para o Audax, time recém formado, também modesto, como aconteceu por esses dias.
Jamais diria, porque não tenho provas, que um time, um jogador ou um grupo deles, “entregou um jogo”, trabalhou para derrubar um técnico. Mas posso dizer ser impossível aceitar que jogadores bem pagos, alguns muito bem pagos, visivelmente corram menos que o normal, isolem bolas que na várzea iriam para as redes adversárias, batam cabeça na defesa e joguem peados no ataque.
Na luta por mais uma Libertadores, acho que foi em 2010, o São Paulo perdeu para o Internacional, no Morumbi, e teve a chance de ir à forra no jogo de volta, no Beira-Rio, por saldo de gols. Isso, se um meia não tivesse tentado mais uma finta, desnecessária, a minutos do apito final, jogando fora a chance. Contam que só não levou uns bons tabefes, no vestiário, porque foi chamado para exame antidoping. Ficou pouco mais no clube e foi rodar na vida.
Em um momento, li que o pagamento dos famigerados direitos de imagem estava atrasado. Não acho que seja motivo para “encostar o corpo em campo”. Se tivessem que reclamar, deveriam fazê-lo antes, fora dele, em papo direto, até negar-se a jogar. Mas não fingir e, pior, depois de perder, fugir das vaias e da imprensa, como ocorreu.
O presidente que mandou no clube por longos anos, rasgando, para isso, os estatutos do clube, costumava levar dinheiro vivo na pasta para pagar prêmios extras aos jogadores depois de partidas que considerava importantes. Um erro grosseiro, não profissional. É possível que os jogadores continuem mal acostumados – sendo maus profissionais.
O time vai aos trancos e barrancos. Caiu dos barrancos no Campeonato Paulista e vai aos trancos na Libertadores, provavelmente graças a promessas de prêmios, o que mostraria falha continuada da direção.
Não há lógica que explique atuações tão diferentes – a não ser a que vem das arquibancadas.
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