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No Ângulo | Futebol é preciso

“Morangos Silvestres”: em 2054, uma autorreflexão do Sr. Robson de Souza, o Robinho

12/05/2016

Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo

Santos, 25 de janeiro de 2054

Olá, amigos fãs de futebol.

Meu nome é Robson de Souza, mas sou conhecido mesmo como Robinho.

Hoje, aniversário dos meus 70 anos, com toda a sabedoria que a idade me proporcionou, gostaria de externar, através destas linhas, uma reflexão que fiz sobre o que a vida me ensinou.

Bom, como todos sabem, eu apareci para o mundo do futebol em 2002, com as históricas pedaladas em cima do então lateral corintiano Rogério (um ótimo jogador, justiça seja feita). Daí em diante, tudo aconteceu muito rápido na minha carreira: Seleção Brasileira, Real Madrid, Manchester City, Milan, Liga dos Campeões, Copa do Mundo…

Por duas vezes – a primeira em 2010 e a outra em 2014 -, voltei da Europa para o Santos, sempre de olho na convocação da Seleção Brasileira. Em 2010, deu certo. Fui até titular naquela Copa do Mundo. Já em 2014, Felipão preferiu levar o Bernard… Fazer o quê?

Fato é que o Peixe sempre me fez bem, sempre levantou o meu astral e a atmosfera do clube sempre fez com que lá eu conseguisse ser o melhor que eu poderia ser. Um lugar em que eu era amado e reverenciado por todos, quase uma unanimidade.

Aliás, eu nunca fui tão realizado jogando futebol como eu era no Santos. Nunca!

Sabe aquele papo de ser o melhor do mundo pelo Real Madrid? Infelizmente nunca consegui chegar perto disso.

Pois é, eu era feliz e não sabia.

Pena que somente hoje, passados tantos anos, eu consigo enxergar que por algum dinheiro a mais (que no final das contas pouco fez diferença na minha vida) eu optei por, primeiro ir para a China (!) e, em um segundo momento, para um rival do “meu” Santos no Brasil – o Atlético Mineiro -, de maneira que acabei sendo ingrato com o clube que sempre amei e que nunca mediu esforços para contar comigo.

Poxa, eu dei as costas para o Santos no momento em que ele, todo endividado, mais precisava de mim.

Sem falar que decepcionei milhões de pessoas que me tinham como ídolo. E sentimento, meu amigo, ah, isso não se compra.

Foi ali o grande erro da minha vida. Não pelo Atlético, que me recebeu super bem e que realmente conta com uma torcida fantástica, como todos dizem. Só que lá, com o perdão do trocadilho, eu sempre me senti um galo fora do terreiro. Ou melhor, um peixe fora d´água. Afinal, eu fui, sou e sempre serei PEIXE.

Nunca vou me esquecer do dia 14 de maio de 2016. Era um Atlético Mineiro x Santos. Mesmo não tendo jogado aquela partida por estar contundido (ufa!), um sentimento horrível de culpa tomou conta de mim. E eu senti um vazio que, confesso, me levou às lágrimas. Acho que foi naquele momento que a ficha começou a cair.

A saudade bateu. Saudade do “ô-lê-lê, ô-lá-lá-lá, o Robinho vem aí e o bicho vai pegar”. Saudade da “Pretinha” no elevador da Vila Belmiro, de jogar conversa fora no “Bar do Alemão” que fica ali nas redondezas, da resenha com os parceiros do elenco, de acompanhar os vídeos do Rachid na internet depois dos jogos… Da cobertura do Peixe feita pelo Ademir Quintino, dos textos do Odir Cunha… Até das cornetadas do saudoso “Seo” Zito eu sinto falta! Hehehe

Saudade de Santos e do Santos.

Bons tempos… Se eu pudesse voltar atrás, jamais teria maculado a minha relação com esse clube que, em última análise, fez de mim o que sou. E é o clube que eu amo.

Afinal, “nascer, viver e no Santos morrer é um orgulho que nem todos podem ter”.

E segue o jogo.

Morangos Silvestres (título original em sueco: Smultronstället) é um premiado filme sueco de 1957, do gênero drama, escrito e dirigido pelo mestre Ingmar Bergman. O título original, em sueco, refere-se ao lugar (stället) onde se encontram morangos silvestres (smultron). Sinopse: O professor de medicina Isak Borg dirige com sua nora Marianne de Estocolmo a Lund para receber o grau honorário da Universidade de Lund por seus 50 anos de carreira. No caminho, relembra os principais momentos de sua vida, temendo a morte que se aproxima.

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