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No Ângulo | Futebol é preciso

Já passou da hora de reconhecermos o que Ronaldinho fez no Galo

08/04/2017

Créditos da imagem: GETTY

Quando se fala de Ronaldinho Gaúcho, é lugar-comum que os destaques de sua carreira sejam resumidos à conquista da Copa de 2002 e aos dois anos de “futebol mágico e sobrenatural no Barcelona”.

É natural que isso seja colocado assim no resto do mundo, mas nós brasileiros fazermos isso é simplesmente inaceitável. E uma mostra de como desvalorizamos nosso futebol.

Ronaldinho foi genial no Galo. Ainda em excelente forma, aos 32 anos (idade atual de Cristiano Ronaldo, por exemplo), foi o armador e líder de um dos maiores times da história de um grande clube do futebol mundial.

O time todo girava a seu redor: Bernard e Diego Tardelli eram alimentados por suas milimétricas enfiadas de bola; Jô fazia o pivô e Marcos Rocha se infiltrava após seus lançamentos; Leonardo Silva e Réver marcavam gols de cabeça recebendo seus cruzamentos.

E é bom esclarecer que nos tempos de Ronaldinho no Atlético o futebol brasileiro vivia boa fase. Nossos clubes quebravam recordes de receita, Neymar jogava por aqui, o Corinthians era campeão mundial, tínhamos uma hegemonia de quatro Libertadores seguidas (2010-2013), segurávamos mais nossos jogadores, repatriávamos craques do exterior e até trazíamos estrangeiros como Seedorf e Forlan.

Obviamente o craque não chegou a brilhar tanto no Galo quanto no Barcelona, quando era apontado como o melhor do mundo. Mas, assim como no clube catalão, jogou muita bola, fez jogadas antológicas e conduziu o time à conquista continental. Se não conquistou o Mundial pelo Atlético, tampouco conseguiu pelo Barcelona. Se saiu mal de um, saiu mal do outro também. Mas se jogou menos aqui, em compensação foi mais líder, mais condutor.

Odeio o tipo de pensamento “coitadista” e divisionista que expressarei agora, mas a verdade é que se Ronaldinho tivesse feito em algum clube do eixo Rio-São Paulo o que fez no Galo, seria muito mais reconhecido. Se Ronaldo Fenômeno  até hoje é incensado pelo que fez no Corinthians, com menos de 5 meses de futebol de excelência e conquistando uma Copa do Brasil e um estadual, o que merece Ronaldinho depois de recolocar o Atlético na posição de gigante do futebol brasileiro, pelo menos um ano e meio em altíssimo nível e títulos da Libertadores, da Recopa e um estadual? Até Adriano Imperador e Petkovic costumam ser mais cultuados pelo Brasileirão 2009 do que o genial craque dentuço pelo período alvinegro.

O Atlético terminou o Campeonato Brasileiro de 2011 na 15ª colocação e não vencia um título de primeira grandeza desde 1971. Bastou Ronaldinho chegar para ser vice-campeão brasileiro em 2012, vencer a inédita taça mais cobiçada do continente e ter se recolocado “nas cabeças” em tudo que o disputa, mesmo após a saída do craque. Provas disso são o título da Copa do Brasil de 2014 e a classificação para disputar a Libertadores pela quinta vez seguida.

Se isso tudo não é suficiente para marcar a carreira de um jogador, não sei mais o que pode ser.

Enfim, Ronaldinho precisa ser mais associado ao Galo no Brasil, é um ídolo histórico do clube e tem uma carreira que deve ser resumida a três pontos altos, e não aos dois que abriram o texto. A não ser que achemos que nosso futebol já não vale mais nada mesmo.