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É preciso se decidir: Tite é bom ou não?

Créditos da imagem: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

É muito comum ouvirmos em conversas sobre futebol que a Libertadores é feita para “times copeiros”. São aqueles que fazem de tudo para conseguir resultados pouco desfavoráveis fora e ganhar dentro de casa. Essa é a receita mais popular para se dar bem em um torneio historicamente difícil e cercado por atitudes antidesportivas dentro e fora de campo.

Uma regra que tem sido bem aceita por aqui. Exceto no caso de Nacional 0 x 0 Corinthians, na última quarta-feira. Li algumas críticas à atuação do time e, consequentemente, ao trabalho de Tite. Chegaram a reforçar as críticas de que o treinador corintiano é exageradamente pragmático, um retranqueiro.

Não acho que Tite esteja chateado por, depois de uma eliminação surpreendente diante do Audax no Paulista, ir ao Uruguai enfrentar o tradicional Nacional, que derrotou duas vezes o Palmeiras, e arrancar um empate. No ano passado, nesta mesma época, ele enfrentou a eliminação diante do Palmeiras no Paulista e a surpresa do Guaraní paraguaio.

Qualquer treinador tomaria cuidados especiais depois de acumular essas experiências. Ainda mais um técnico que naturalmente já se cerca de cuidados. Tite é da escola gaúcha. O ponto de partida de seus times é ter uma defesa sólida, ser marcador e reter a posse de bola. Contra o Nacional, os corintianos tiveram 60% de domínio da bola.

E por que não atacou mais? Porque o time não está pronto. Depois do ataque de gafanhotos chineses, em que perdeu mais da metade dos titulares, o Corinthians tenta se recuperar. Suas atuações no Paulista e na Libertadores estão surpreendendo até os corintianos mais otimistas. Por causa disso, Tite tem sido apontado como favorito para a Seleção Brasileira. Mas é fato que seu trabalho está em fase de montagem. Pior, com desfalque de Giovani Augusto, uma das boas surpresas do ano.

Mas quem lê alguns comentários na mídia tem a impressão de que o Corinthians deveria ter goleado, que Tite obrigou o time a jogar o antifutebol, que a velha máxima de “time copeiro” só vale para as outras situações.

Há muito, acho uma balela essa história de que Tite é só retranqueiro. Ele é o mais moderno de nossos técnicos. Seus times são exaustivamente treinados para serem compactos, combativos, marcadores e vencedores.

Ou alguém é capaz de dizer que era retranqueiro e praticante do antijogo o time hexacampeão brasileiro em 2015? Campeão com doze pontos à frente do vice. Dono do melhor ataque, da melhor defesa, do maior número de vitórias, do menor número de derrotas. Vencer o Atlético-MG, em pleno Horto, na “decisão” por 3 a 0 foi coisa de retranqueiro? Fazer 6 a 1 no São Paulo com os reservas é obra de quem não aprecia o bom futebol?

Em 2012, quando o Santos foi eliminado da Libertadores pelo Corinthians, no Pacaembu, Neymar afirmou: “o time deles joga só atrás da linha da bola”. Nenhum repórter contestou ou disse a Neymar que no gol de Danilo a “linha da bola” estava cruzando a pequena área santista.

Tenho idade suficiente para ter visto muitos que em 1982 ajudaram a enterrar o “futebol-arte” no Brasil ao dizerem que Telê Santana só queria atacar e era pé-frio. Esses mesmos o elogiaram no São Paulo do início dos anos 90. E hoje aplaudem Guardiola, o mesmo espanhol que se desmancha em elogios àquele futebol que o Brasil praticava até 1982.

Nos últimos tempos indicam Tite para a Seleção e agora, por causa de um empate na disputa de mata-mata no campo de um adversário tradicional, o chamam de retranqueiro. Não se trata de comparar Tite e Telê. São duas épocas diferentes. Mas de mostrar a volatilidade das opiniões por aqui.

Se Tite tem um defeito é a mania de criar neologismo e falar um “boleirês” meio cafona. Ser ou não o ideal para a Seleção é outra questão. Mas como técnico, não vejo ninguém melhor do que ele no Brasil.

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