
Créditos da imagem: CBF
O jornalista Miro Neto, de quem sou amigo e fã, fez a pesquisa e indicou a leitura do “Caso Robinho” na imprensa italiana.
Em tradução livre, segue o conteúdo da referida matéria no La Stampa, de 23 de novembro de 2017:
Eles a fizeram beber até o ponto de deixá-la inconsciente e depois as teriam estuprado sem que ela pudesse se opor, em um guarda-roupa de uma boate em Milão. É por isso que o ex-jogador do Milan, Robinho, o Robson de Souza Santos, e seu amigo Ricardo Falco, foram sentenciados hoje a 9 anos de prisão e pagam 60 mil dólares à vítima, uma menina de origem albanesa, que na época dos fatos tinha 23 anos.
Isto foi decidido pela 9ª Seção Penal do Tribunal de Milão, composta pelos juízes Maiolina Panasiti, Piera Gasparini e Simone Luerti, os quais aceitaram essencialmente os pedidos do promotor Stefano Ammendola, para quem o crime de violência sexual grupal ocorreu com o abuso das “condições de inferioridade psíquica e física da jovem”, que teria bebido. Além das duas investigações, nascidas da queixa da menina e baseadas essencialmente em conversas interceptadas, levaram a indicar entre os perpetradores da violação quatro outros homens.
A história, na qual o promotor teve recusado o pedido de prisão de Robinho devido à falta de requisitos de precaução, data de 22 de janeiro de 2013, quando o futebolista usava a camisa rossonera.
Naquela noite, a menina, que já conhecia o futebolista e alguns de seus amigos, havia se encontrado com o pequeno grupo e seus dois amigos no Sio Café para celebrar seus 23 anos. Mas, como afirmado na acusação, depois que seus dois amigos foram embora e o ex-atacante de Milão deixou a esposa em casa, o pequeno grupo teria oferecido “beber até o ponto de inconsciência e incapaz de se opor”, o que mais tarde ocorreria. De acordo com a reconstrução do Ministério Público e com base nas conversas e também a análise do DNA rastreado no vestido usado pelos célebres, os réus levaram a jovem para o guarda-roupa do clube noturno e aproveitando sua condição, eles teriam com seus muitos contemporâneos mantido relações sexuais consecutivas com a vítima.
Uma reconstrução firmemente rejeitada pela defesa, que afirma que a vítima e o ex-camisa rossoneri já se conheciam de outras casas noturnas de Milão e insistiram na falta de provas de que ela “não consentiu” e que “ela utilizou substâncias alcoólicas” até o ponto de estar em “condições de inferioridade psíquica e física”.
Por outro lado, no entanto, durante a investigação do promotor Ammendola, foram interceptadas uma série de conversas em que os seis falaram livremente sobre o que aconteceu naquela noite, quando a festa de aniversário degenerou em uma violência grupal contra a jovem. O apelo está aguardado. O Tribunal reconheceu uma indenização à albanesa de 60 mil euros.
Advogada de Robinho: “O meu cliente não tem nada para fazer”
“Sobre o assunto envolvendo o jogador Robinho, e isso refere-se a um fato que aconteceu há anos (2013), esclareço que meu cliente já se defendeu dessas acusações, explicando que ele não participou do episódio em questão”.
Assim, a advogada de Robinho, Marisa Alija, comenta dos microfones do canal brasileiro Sportv, em nome do ex-jogador do Milan, a sentença do tribunal de Milão que o condenou a 9 anos de prisão por ter participado de um estupro coletivo.
“Esta é uma sentença de primeira instância – a advogada que assiste Robinho disse, então todos os instrumentos legais necessários já foram implementados, vez que a justiça italiana prevê outros “níveis” de julgamento”. Outras fontes próximas a Robinho afirmam que o atacante estava “triste e desgostoso”.
Bom, o assunto é delicado e deve ser tratado com bastante sensibilidade e cautela.
Presunção de inocência, respeito às fases processuais etc etc etc… tudo isso é muito importante!
Muito!
Por outro lado, parece-me claro que os indícios da prática criminosa são contundentes e as provas contra Robinho são robustas.
Diante de tantos elementos, fosse eu dirigente de um clube, e trataria a situação com toda prudência e responsabilidade que ela merece.
Nem tanto por eventual risco de prisão – e a consequente “perda esportiva” que isso acarretaria -, quadro improvável, mesmo em eventuais viagens do jogador pela América do Sul (pensando em Libertadores da América), quando teriam de ser analisados os tratados de cada país com a Itália para uma possível extradição, mas, principalmente, pela IMAGEM da instituição empregadora.
Culpado ou inocente, vai ser difícil Robinho driblar a desconfiança – e até a fúria – do grande público.
E sabe-se lá o tamanho do mal que isso pode gerar para ele próprio e para aqueles que o cercam (a agremiação, inclusive).
Por isso tudo, que o jogador tenha serenidade e lucidez para entender se por acaso nenhum clube lhe estender a mão, já que contratar Robinho, hoje, é um grande mico!
Uma pena (ao menos esportivamente falando), já que o craque ainda teria “lenha para queimar” nos gramados…
E segue o jogo.
Em tempo: Robinho recorreu da sentença que o condenou em primeira instância, de maneira que ainda é possível que seja declarado inocente pela justiça italiana. A ver.