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No Ângulo | Futebol é preciso

Desfrutemos: Grêmio x Corinthians é a nossa “Final de Champions”

25/06/2017

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Já fazia anos que não havia uma partida com tantos elementos para expectativa aqui no Brasil.

Eles não são simplesmente líder e vice-líder do Campeonato Brasileiro. Eles estão sobrando até agora. E não só no Brasileirão, mas também no ano.

O Corinthians está invicto no Brasileirão. O Grêmio perdeu apenas para o Sport, em uma partida que jogou praticamente com o time C. Ou seja, vale para pontuação, mas não para mostrar que o time “foi superado”.

Aliás, quem foi capaz de superar um desses dois em 2017? Apenas a altitude da desértica Calama e erros de arbitragem que deram a vitória ao Deportes Iquique contra o Grêmio pela Libertadores. De resto, apenas jogos com reservas ou ainda no comecinho do ano contra rivais irrelevantes.

Mesmo quando foram desclassificados (o tricolor no Campeonato Gaúcho, pelo Novo Hamburgo, e o alvinegro na Copa do Brasil, contra o Inter), foram nos pênaltis, sem derrotas, em disputas em que carregavam toda a responsabilidade da vitória.

Ainda que muitos queiram desenhar que o Grêmio é a  equipe do bom ataque, enquanto o Corinthians é a da boa defesa, é bom salientar que ambas são completas: o Timão não só tem a melhor defesa do Brasileirão, como tem o segundo melhor ataque da competição, ao passo que o Imortal não é apenas o melhor ataque do campeonato, como saiu de campo sem sofrer gols em seis rodadas (mesmo número do Corinthians).

São dois times que trocam passes, que triangulam, que têm clareza do que fazem. Enquanto os outros mostram não saber exatamente o que fazer em campo, esses dois são  agudos: não à toa são as equipes que menos precisam finalizar para marcar gols no Brasileiro, afinal, constroem jogadas que os fazem entrar com muito perigo na área adversária. O Grêmio é quem mais finaliza no campeonato, menos erra passes e mais desarma; o Corinthians é quem mais troca passes e menos comete faltas. Compactos, modernos, competitivos. Com exceção dos zagueiros, não têm brucutus. Todos jogam, todos marcam, todos recompõem.

O campeão da Copa do Brasil é mais brilhante. É a primeira equipe “pós-Guardiola” que vejo no Brasil a praticar um futebol de imposição dentro e fora de casa, dominando o território, dando as cartas na partida e entrando como quer na área adversária através de passes curtos. Parece ter mais jogadores em campo e fazer menos esforços do que os adversários. Tem Luan, o craque mais brilhante do futebol brasileiro no momento.

Já o campeão paulista, apesar de não disputar a Libertadores, foi mais testado do que o Grêmio no ano. Está invicto há 22 partidas, e há inacreditáveis três meses não sabe sequer o que é ficar em desvantagem no placar de qualquer partida. Se não tivesse um gol mal anulado pela arbitragem contra o Coritiba, chegaria à sétima vitória seguida como visitante. Isso tudo simplesmente não é normal.

Nunca valorizamos o que temos. Mas esta partida será entre duas equipes que apontam o futuro do nosso futebol, com uma infinidade de jogadores selecionáveis e promessas, em uma moderníssima e lotada arena. Jogo para fazer bonito em qualquer lugar do mundo.

Desfrutemos, pois! Antes que um deles seja derrotado e imediatamente já seja contestado e perca todo o crédito acumulado, sob o destrutivo olhar do brasileiro.