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No Ângulo | Futebol é preciso

Deportem-no!!!!

26/03/2018

Créditos da imagem: UOL

Realmente, não dá para ter boa vontade com estrangeiros. Diego Aguirre veio ao Brasil para sua terceira tentativa como técnico. Não precisou de cinco jogos para causar um incidente internacional de gravíssimas proporções, abalando a estabilidade institucional brasileira. Ousou passar reto pelo treinador do Corinthians. Pior: quer que acreditem que o fez por não ter reconhecido o colega. Ora, senhores! Todo mundo sabe que, em qualquer parte do planeta, o Brasil sempre foi reconhecido pelo quadrinômio “mulatas, Pelé, Escrava Isaura e Fábio Carille!”. É mais fácil ignorar as feições faciais da pop star Anitta (por motivos óbvios) que as do estrategista corintiano. Vai, malandro uruguaio…

Sim, Fábio Carille poderia ser um poço de auto-exaltação. Mas é até modesto. Qualquer sujeito minimamente informado já imagina como é requisitado. Ele não revela, mas aposto que tem longas conversas, via Zap Zap, com colegas mais ou menos do mesmo nível. Uma hora é Antonio Conte. Outra tem Mourinho. Mais tarde é a vez de Guardiola atrapalhar seu sono com suas consultas intermináveis. O calvário só cessa em Data FIFA, porque aí é a vez de Tite buscar conhecimentos de seu ex-pupilo. O professor da seleção é culto. Sabe que o discípulo Platão superou Sócrates e Aristóteles superou Platão. Logo será a vez de Fábio tomar o que é de Adenor. É o que está demonstrando, de novo, nesta temporada. Como na vitória contra o Palmeiras. Ou na vitória contra o Palmeiras. E não podemos esquecer, sob pena de enorme injustiça, da vitória contra o Palmeiras. É muita coisa para ser ignorado.

É preciso uma atitude imediata, porque a erva daninha já está causando efeitos. Nenê marcou um gol e apontou jocosamente para Fábio Carille. Onde vamos parar? Todo mundo sabe que só corintiano pode chegar num Majestoso e, depois de um gol, apontar os dedos médios, berrar “chupa, bambi!”, etc… É norma consolidada e qualquer reclamação adversária é oficialmente “mimimi”. Agora chega um estrangeiro querendo mudar o status quo. São muito perigosos, mesmo. Sou são-paulino, mas compreenderei totalmente se o time e seu técnico forem hostilizados na volta. Tudo se justifica. Não foi só a humilhação de um. Foi um vácuo na mão de cada brasileiro. Isso é lesa Pátria (nem sei o que é, mas soa legal), senhores! Carille está certo. Tem que seguir o exemplo de Luxemburgo em 2004. Pegar um uruguaio recém-chegado, como era Lugano, e taxá-lo publicamente como violento. Preconceito? Que é isso…

Aguirre insistiu na explicação. E, como cara-de-pau não tem limites (ainda mais num país em que é tão rara), quer que seu pedido de desculpas seja suficiente. Nada disso. Ontem mesmo, deveria ter dado satisfações às autoridades diplomáticas e judiciais. Que gracinha é essa? Mal ganhou o visto de trabalho e sai afrontando o patrimônio nacional? Isso, repito, é lesa Pátria (não funcionou tão bem agora, mas tá valendo)! Talvez cancelar e expulsar de nosso território seja radical – eu disse “talvez”. Mas, no mínimo, deveria sofrer forte sanção. Como ser obrigado a ir de programa em programa, na TV e no rádio, implorando perdão a Carille, à nação corintiana e – por que não? – ao povo. Parece brando, mas são tantos programas (e, hoje, só falarão do assunto em vez do jogo) que dificilmente conseguiria treinar a equipe. Com sorte, estaria livre pra ir a Itaquera. Se o trânsito permitir.

O que me preocupa é que sempre aparece a turma do “Deixadílson” querendo apartar. Vão sugerir que os técnicos se cumprimentem e estamos conversados. É isso que acaba com o Brasil. Perdem tanto tempo falando em ética, corrupção e tal, mas quando acontece algo realmente sério vão botar panos quentes. No, señor Aguirre! Se quiser tomar o lugar de um trabalhador local, tem que se adequar. Quer fazer diferente? Use bloquinhos e canetas coloridas. Fale em “jerarquia”. Perca jogos seguidos com dignidade. Aí tudo bem – e você ainda descola vaga em seleção. Mas não provoque! Na próxima, camburón para usted!