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No Ângulo | Futebol é preciso

Cristóvão poderia dizer: “Só eu? E os outros?”

18/09/2016

Créditos da imagem: Divulgação / Twitter oficial Corinthians

A saída do técnico Cristóvão Borges começou a se delinear na sua chegada. Em nenhum momento, seu nome foi recebido como uma grande solução por parte da torcida, da mídia e até da direção e conselheiros do Corinthians. Substituir Tite, ídolo maior do clube, não é fácil. Ficou mais difícil ainda pelo fato de ter sido admitido que Cristóvão não era a primeira opção. Foi escolhido após negativas de Roger, Eduardo Baptista e Sylvinho.

E ele chegou e já foi perdendo opções, como Elias, Bruno Henrique, Luciano e André. Para agravar, não conseguiu fazer um omelete com os ovos que sobraram. Suas escalações foram erráticas, sem muita coerência. Viu-se poucas atuações promissoras, como a do primeiro tempo contra o Santos, que acabou em virada do adversário após substituições desastradas.

Seu jeito pacato e monocórdico não combinava com a agitação e nervosismo que caracteriza o clube. Claro que não é necessário ser histérico para agradar, mas os corintianos gostam de sentir energia nas palavras do treinador. Tite, com seu Titês, conseguia passar emoções. Cristóvão, não.

Mas, a culpa não é toda dele. Faltou-lhe apoio. O time hoje tem jogadores de nível impensável em um passado recente. As falhas nos dois gols do Palmeiras seriam inimagináveis há bem pouco tempo. O momento é de contenção de custos, redução de salários, venda de atletas para fazer caixa? Ok, até é possível entender que essas situações ocorrem. Mas o inaceitável é o fato de só o treinador estar na linha de frente, levando “pancadas”. A diretoria não esteve ao seu lado, não assumiu o papel de para-raio.

Cristóvão já chegou com o óleo quente. E nenhum diretor de dispôs a tentar reduzir a temperatura da frigideira. Pelo contrário, o deixaram à própria sorte. Se der certo, a gente aparece. Se ser errado, a gente troca de novo. Foi o que aconteceu.

O anúncio da efetivação do auxiliar Fábio Carille parece mais uma forma de a diretoria se livrar de cobranças e, principalmente, de repetir o vexame de ouvir tantos “nãos” como ocorreu na saída de Tite. Mas se for para valer, será preocupante. É uma aposta no momento em que o Corinthians ainda está perto de uma vaga no G4, mas também não totalmente livre dos riscos do rebaixamento. É preciso lutar, nas 12 rodadas que restam, e na Copa do Brasil. E evitar um final de ano desastroso.

E, para 2017, a diretoria poderia retomar o que foi feito nos últimos anos, quando revelou jogadores que surgiam no interior, como Elias, Ralf, Jucilei, Paulinho, Felipe, Romarinho, entre outros, e deu espaço de recuperação para atletas que transitavam em vários clubes, como Alessandro, Fábio Santos, Chicão, André Santos, Jorge Henrique, Douglas, Christian (na boa primeira passagem) etc. Formando uma base, fica mais fácil encaixar eventuais medalhões.

Mas este trabalho precisa de apoio. Algo que o controverso Andrés Sanches garantia a Mano e Tite.