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No Ângulo | Futebol é preciso

Crise “Made in China”

02/03/2016

Créditos da imagem: A Gazeta Esportiva

Na última quinta-feira (24), publiquei um texto sobre a polpuda oferta que Ricardo Oliveira havia recebido do futebol chinês. Àquela altura, o negócio dava toda a pinta de que sairia. Só que ele não saiu.

Antes de qualquer coisa, penso ser importante destacar algo que a mim parece evidente: TECNICAMENTE, o Santos não errou. Isto é, se há um contrato assinado entre as partes, ele deve ser cumprido. É o tal do Pacta Sunt Servanda. Em não tendo o interessado pelo atleta atendido às exigências do clube praiano, este fez valer o seu direito de recusar a negociação (o que pode até ter um efeito pedagógico, no sentido de mostrar aos chineses de que o Brasil não é a “Casa da mãe Joana”, algo que o Corinthians não conseguiu fazer).

Só que nem tudo na vida é “preto no branco”. Às vezes é necessário se observar as nuances e as particularidades do caso concreto. Há de se ter sensibilidade. Senão vejamos.

Ricardo Oliveira é um profissional em fim de carreira. Em que pese já ter feito o seu “pé de meia” durante a sua bem-sucedida trajetória, a proposta da China era daquelas irrecusáveis, que envolviam números verdadeiramente astronômicos (há quem diga que Oliveira receberia 2,4 milhões de reais por mês). A ponto de o próprio jogador ter chegado a oferecer parte de seus rendimentos para que a negociação saísse. Ora, se a negociação chegou a esse ponto, como não prever que eventual permanência geraria uma enorme frustração e desgaste? Sem hipocrisia e discurso politicamente correto, não deve estar sendo fácil para o jogador digerir tudo isso, já que ele perdeu MUITA grana. Sem falar que não há garantias de que no meio do ano o cenário se repetirá. Afinal, ele pode se machucar, deixar de ser convocado por Dunga ou então fazer um Campeonato Paulista apenas razoável (como tem feito). Enfim, tenho a impressão que a hora de Ricardo Oliveira era agora, de que o trem passou e ele não subiu.

Segundo consta, o Santos faturaria algo em torno de 6 milhões de euros na transação. Uma verdadeira benção para um clube sabidamente em crise financeira, não?

Não na opinião da sua diretoria, que fez jogo duro, foi intransigente, blefou alto e agora vê nascer uma crise que sabe-se lá até onde pode ir. O adversário do próximo domingo é o Corinthians e uma derrota para o maior rival pode escancarar de vez o péssimo clima que ronda a Vila Belmiro desde o fracasso das negociações com o jogador que talvez seja aquele de maior ascendência sobre todo o elenco.

A coisa está tão feia que até Dorival Júnior, que faz um excelente trabalho desde o seu retorno (mesmo ficando fora da Libertadores do corrente ano, um castigo que o Santos não merecia pelo que produziu em 2015), estaria ameaçado. Fala-se, nos bastidores, que Vágner Mancini poderia ser contratado. Seria uma pena e um retrocesso. Menos mal que o clube desmentiu através de nota oficial o interesse em Mancini e reforçou que está “fechado” com Dorival. Tomara.

Que o Santos administre a sua crise com racionalidade e sem caça às bruxas.

E segue o jogo.