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O Corinthians tem em sua história uma galeria de goleiros-ídolos. Mesmo jogando em uma parte do campo onde, como se dizia antigamente, “não nasce nem grama”, vários nomes brilharam com a camisa outrora toda negra, hoje amarela. Nomes como Gilmar dos Santos Neves, Cabeção, Ado, Tobias, Leão, Carlos “Ganso”, Ronaldo etc.
No entanto, dois ficaram marcados de forma especial por conquistarem os títulos mais importantes da história alvinegra: Dida e Cássio. São os dois heróis de todos os torcedores, especialmente os mais jovens.
Mas há uma diferença entre ambos: Dida defendia milagrosamente pênaltis decisivos e se levantava como quem acabara de escovar os dentes porque a mãe mandou; Cássio vibra com o time, comemora com os companheiros e os torcedores. Enfim, empolga. Suas atuações contra o Vasco, na Libertadores, e depois contra o Chelsea, na final do Mundial, serão eternas nas lembranças dos torcedores, inclusive os que ainda chegarão no futuro.
Só que, infelizmente ou felizmente, tudo na vida tem um fim. Os relacionamentos se esgarçam, os objetivos se diferenciam, o amor vira estima, enfim, algo acontece e nos empurra para a frente, para novas experiências, relações, emoções etc. E isso está acontecendo com Cássio, a muralha tão festejada pela torcida. Afastado por questões técnicas, o goleiro não esconde sua mágoa e o clube parece não se opor a sua saída. Dá a impressão de que os dirigentes até torcem por isso.
É perfeitamente compreensível que a direção entenda que Cássio tem demonstrado uma queda na qualidade no seu desempenho. Mesmo torcedores que o têm como ídolo reconhecem que ele tem rebatido para frente mais bolas do que o normal, não tem feito mais defesas fantásticas, tem se assemelhado mais a um goleiro comum.
Walter, por outro lado, está na ponta dos cascos. Tem entrado bem em todos os jogos, mostrado segurança. E deve ter um salário menor.
Ok, concordamos que há motivos para se pensar em uma transição Cássio – Walter. Mas é preciso haver jeito. Um goleiro com sua história, se for realmente sair, precisa ter um tratamento à altura do ídolo.
Por motivos diversos, Emerson, Guerrero, Fábio Santos, Jorge Henrique, entre outros, foram embora meio que à francesa. Cássio não pode sair sem uma homenagem digna de sua importância. A dor do desapego se amaina com o reconhecimento merecido. Se não houver outra solução que não seja o divórcio, que o goleirão seja homenageado em Itaquera. Que se faça uma despedida festiva. Pode até ser um jogo-festa com atuais e antigos ídolos –uma atração a mais em uma noite sem rodada do Brasileiro. O torcedor certamente vai querer participar. O que não pode é deixar que ídolos considerados verdadeiros troféus na memória da torcida saiam de cena como se tivessem sido transferidos para o arquivo-morto.