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No Ângulo | Futebol é preciso

Como é impressionante ver este Audax no campo

01/05/2016

Créditos da imagem: Youtube.com

Fiz questão de conferir in loco a semifinal entre o Corinthians – time comandado por Tite, treinador unanimemente apontado como o melhor do país; e o Audax – dirigido pelo peculiar Fernando Diniz, que apresenta uma proposta de jogo mundialmente rara e vinha de impor uma goleada de 4 x 1 sobre o São Paulo.

Fiquei impressionado com o nível da partida, uma das mais bem disputadas que já vi no estádio em toda a minha vida (e já vi uma boa quantidade de jogos internacionais, Copa do Mundo, etc.). Duas equipes modernas, solidárias, compactas, que gostam de trabalhar a bola e com todos os jogadores muito participativos tanto na criação quanto na marcação. E não me resta a menor dúvida de que a surpresa de Osasco teve o controle tático de quase toda a disputa.

Algo que me chamou a atenção foi como o Audax realmente atacava buscando concentrar mais jogadores em torno de onde a jogada ocorria, enquanto o alvinegro acabava respeitando mais as posições de origem quando construía as jogadas, conforme as imagens a seguir:

Exemplo de concentração lateral em ataque do Audax
Exemplo de concentração lateral em posse de bola do Audax
Outro exemplo de ataque do Audax com forte concentração lateral
Outro exemplo de ataque do Audax com forte concentração lateral
Exemplo de ataque corintiano espalhado lateralmente
Exemplo de ataque corintiano espalhado lateralmente
Outro exemplo de ataque corintiano lateralmente espalhado
Outro exemplo de ataque corintiano lateralmente espalhado

Enquanto o Audax criava as jogadas naturalmente e com consciência, como claro produto do que desempenhava em campo, o Corinthians sempre parecia precisar fazer força para ir à frente, conseguindo algo meio na marra.

Foi especialmente surpreendente ver a calma da equipe de Fernando Dizia após sofrer o primeiro gol de empate, logo no começo do segundo tempo, após o Corinthians vir com modificações que o deixaram mais agressivo. Todos tiveram a sensação de que, nessas circunstâncias e com a forte pressão exercida pela Fiel Torcida (que mais uma vez lotava a Arena), o Audax iria se intimidar e ser amassado. Não, foi justamente o contrário. Voltou a dar as cartas e controlar cada vez mais a partida, até fazer o segundo gol. Sete minutos depois, novo empate dos donos da casa, e o que foi que aconteceu? Novamente os visitantes voltaram a dominar a partida que estava indo para os pênaltis, criando duas claríssimas oportunidades de gol e imprensando os gigantes em sua própria fortaleza.

Algo muito ilustrativo da postura da equipe de Osasco foi a substituição na qual Wellington entrou no lugar de Juninho, e este saiu correndo para a rápida entrada do companheiro. A partida estava empatada em 1 x 1, e esse comportamento é muito raro em qualquer equipe visitante que não esteja sendo eliminada. Se formos considerar que era um time pequeno, então…

Encerrando as observações táticas, era nítido como a equipe de Fernando Diniz constantemente procurava ter opções em cada lateral para a evolução da jogada. Mesmo quando a bola está em uma ponta, constantemente alguém se apresentava no extremo oposto para ser opção de jogada. E, logo que alguém recebia em alguma lateral, algum companheiro vinha de trás para fazer dobradinha.

De todas as equipes que vi no campo até hoje, a única que me impressionou mais taticamente do que o Audax dessa partida foi o Barcelona de Guardiola. Vi todos os semifinalistas da última Copa, vi o Real Madrid que viria a ser campeão europeu, vi o Chelsea campeão europeu em 2012, o atual Paris Saint-Germain, entre outros, e nem a Alemanha do 7 x 1 me espantou tanto na quantidade de ultrapassagens, de geração de opções de passe, de rápida recomposição, etc.

É claro que futebol é muito imprevisível, e ainda mais em se falando de uma equipe inexperiente e sem jogadores acostumados a decisões do porte de uma final de Campeonato Paulista, então é realmente complicado fazer prognósticos para a final contra o fortíssimo (e letal!) Santos. Mas torço, pelo bem do nosso futebol, que o Audax que se apresentará nas duas partidas decisivas seja este mesmo calmo, consciente e confiante da partida contra o Corinthians.

Para finalizar, novamente fiquei pensando o que Fernando Diniz seria capaz de fazer com jogadores mais qualificados. Mas vendo a qualidade do futebol apresentado nos últimos jogos, e os golaços marcados por Bruno Paulo e Tche Tche, também fico pensando sobre o que é, de fato, “um jogador mais qualificado”. Nunca se sabe o quanto um time é produto de seus jogadores e vice-versa. E na mesma medida em que vi uma “partida de Champions League” estrelada por nomes como Velicka, Felipe Diadema, Maiki e Tche Tche de um lado, e Yago, Uendel e Lucca de outro, este Audax pode sonhar em superar a camisa e os craques selecionáveis que terá pela frente na final.