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No Ângulo | Futebol é preciso

Caso Santos x Palmeiras: mitos e mimos

08/11/2016

Créditos da imagem: Lancenet

Uma coisa não pode se negar no colega Gabriel Rostey, companheiro de colunas de “No Ângulo”: ele é corajoso. Dar a cara a bater ao falar do “mimado” Santos e do “injustiçado” Palmeiras é um ato de arrojo. Assim como não se pode dizer que está errado o artigo do também colega Fernando Prado, que listou uma série de “se…” para mostrar que o Santos perdeu a Copa do Brasil de 2015 mais por “méritos próprios” do que por superioridade dos palmeirenses.

Não sei se os leitores curtem esta sequência de artigos com o mesmo tema. Por isso, vou me prender mais aos “mitos” e “verdades” que se estabelecem no futebol e que, enraizados, dificilmente são analisados com rigor.

Peguemos o exemplo do Santos. É um time que, por causa do período Pelé, passou a ser considerado santuário do futebol de excelência. O que é justo. Afinal, nenhum time no Brasil jogou como o Santos de Pelé dos anos 59 a 70. O Botafogo de Garrincha chegou perto, mas não teve tantas conquistas justamente por causa do Santos. A Academia Palmeirense também esteve próxima a este nível, inclusive interrompendo a sequência de títulos santistas nos anos 60.

O futebol jogado em campo, e bem interpretado, não deixa muitas dúvidas. Não dá para os demais cariocas ignorarem a superioridade do Flamengo de Zico. Nem para os paulistas não reconhecerem períodos de supremacia entre os seus grandes, cada um em sua época. Mas sempre existe aquela teoria da conspiração. De que a mídia favorece este ou aquele.

É esta suspeita no ar que faz com que os santistas já entrem nas discussões acusando a mídia ou os dirigentes do futebol de serem parciais. Mas é preciso ir à raiz das questões. Se pegarmos com rigor a história, teremos que dar ao Santos o mérito de ser o maior revelador e desenvolvedor de jovens talentos. Isso, entretanto, ficou mais restrito nas últimas décadas às gerações Robinho/Diego e Neymar/Ganso.

Desde o final da era Pelé, o Santos ganhou vários Paulistas, dois Brasileiros (2002 e 2004-parte com Diego e os dois com Robinho no auge da forma, além de reforços como Ricardinho), a Copa do Brasil de 2010 (Ganso, Neymar e Robinho) e a Libertadores de 2011 (com Neymar e Ganso). Fora isso, foram apenas Paulistas. Mesmo assim, o time desfruta da aura de praticante do melhor futebol.

É fato que, por ficar fora da capital, o Santos não tem a mesma cobertura de mídia que os outros grandes paulistas. Mas existe uma linha de defesa em relação ao celebrado alvinegro praiano, que inclui até não-santistas saudosos dos velhos tempos, que faz tudo o que diz respeito ao clube, em especial na internet, ter reações rápidas e raivosas/chorosas.

Como jornalista de longos anos de carreira, arrisco dizer que ser crítico em relação ao futebol do Santos seria como afirmar, até pouco tempo atrás, que o São Paulo não era todo esse exemplo de gestão moderna. As verdades são criadas e/ou reproduzidas pela mídia, assumidas pela torcida, e acabam se solidificando independente dos fatos.

Hoje, temos várias certezas cujas razões se perderam no tempo. Repetindo, o São Paulo é exemplo de administração do futebol. O Flamengo cheira a título quando chega à fase decisiva. O Corinthians sempre tem futebol feio e é ajudado pela arbitragem. GreNal é o clássico com a maior rivalidade do país. FlaFlu é o principal duelo do país. O Palmeiras não conseguirá se reerguer.

De fato, infelizmente, temos que a Lusinha praticamente acabou, que o Botafogo surpreende quando não está na briga do rebaixamento, que o Fluminense se tornou o rei do tapetão etc.

Na verdade, precisamos agradecer ao fato de o Brasileiro ser o campeonato, entre todos os principais do mundo, em que o script muda a cada ano (com raras exceções). Eu seria um entediado espanhol ao ver só Barça e Real com chances de títulos, tirando um Atlético de Madrid quebrando a regra a cada “milianos”. Ou um alemão com só o Bayern chegando. Ou um francês vendo Lyon ou PSG dominando.

O futebol brasileiro dá mais opções e emoções. Dá até para se dizer que determinado time é mimado e receber como resposta colocações pertinentes. Este conjunto faz com que tenhamos novidades interessantes a cada ano, apesar da penúria de nossos times.

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