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No Ângulo | Futebol é preciso

Carille deve ser cobrado e coloca a conquista em risco ao preferir “morrer abraçado” a Jadson e Romero

15/10/2017

Créditos da imagem: Will Vieira/Raw Image

Sem dúvidas, Carille é o maior responsável pelo Corinthians ser o líder destacado do Brasileirão. Mas nos últimos tempos tem sido mais real do que o rei e deve ser cobrado como quem está escolhendo o caminho mais difícil nessa reta final do que parecia ser simplesmente uma rota tranquila rumo à consagratória taça.

Após uma sequência tenebrosa de três derrotas e um empate no começo deste segundo turno, o Corinthians conseguiu estabilizar a situação graças a duas duras vitórias em casa (contra Vasco e Coritiba), dois empates como visitante (enfrentando São Paulo e Cruzeiro) e os deslizes de seus principais adversários. Essa melhora do desempenho corintiano veio pelos pés de Clayson, que tinha feito quatro gols nas últimas três partidas.

E o que faz Carille contra o Bahia? Permite a Clayson atuar por apenas por cerca de 25 minutos, entrando aos 23 minutos da etapa complementar. Tudo isso para deixar em campo Romero, que vem sendo quase inoperante ofensivamente e não marca um mísero gol há mais de quatro meses, desde 11 de junho, na vitória por 3 a 2 contra o São Paulo, pelo primeiro turno.

Isso se soma à inexplicável insistência com Jadson, que embora seja um excelente jogador, desde que se lesionou contra o Avaí, no fim do primeiro turno, nunca mais retomou o nível. Invariavelmente o conjunto alvinegro atua melhor depois que Marquinhos Gabriel entra em seu lugar.

Ou seja, resumidamente, o ainda líder do campeonato vem iniciando todas as partidas com praticamente dois jogadores a menos. E ainda quando tem um destacado “herói” nas últimas partidas -Clayson- este nunca assume a titularidade.

Que meritocracia é essa? Carille prefere morrer abraçado a Jadson e Romero? Até quando? E ainda expõe desnecessariamente dois atletas que foram fundamentais para a equipe estar onde está, mas que simplesmente não vivem bom momento.

A insistência previsível e não justificada com Camacho é outro mistério. Em todas as partidas Carille tem insistindo com o volante que, supostamente, melhora a saída de bola corintiana. Eu, ao menos, não percebo tal melhora, e identifico apenas a instabilidade e abalo na confiança de Gabriel e de Maycon, que vem piorando de nível desde que Camacho se tornou a principal aposta do treinador para enfrentar qualquer situação colocada para o time.

Outrora mortal como visitante, a equipe do Parque São Jorge não vence fora de casa há quase dois meses, com um inesperado gol de Jô já quase nos acréscimos, quando bateu a Chapecoense por 1 a 0. Em casa, suou frio e contou com polêmicos lances de arbitragem nas vitórias contra os frágeis Vasco e Coritiba.

Na próxima rodada, em xeque e com a confiança abalada, o líder receberá o perigosíssimo Grêmio. Se perder para o Tricolor Gaúcho, o Corinthians se verá a apenas seis pontos dele, e em viés de baixa. E isso para não falar no maior perigo: o Santos, vice-líder até o começo desta rodada, poderá ficar a apenas quatro pontos.

Enfim, já passou da hora de o Corinthians se aproveitar unicamente dos tropeços dos rivais, passar a se questionar e enfrentar o conservadorismo que pode fazer com que perca vexatoriamente o Brasileirão mais ganho dos últimos tempos.