
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Nos mês passado escrevi aqui que ainda não considero Messi um dos mitos do futebol. O assunto repercutiu muito. Houve apoios e críticas. O resultado foi bastante positivo porque o nosso objetivo é incentivar o debate. Por isso, tomo a liberdade de continuar na polêmica.
Antes de entrar nas argumentações feitas pelos leitores, acho importante mostrarmos como esse tipo de sondagem enfrenta problemas. A indicação do melhor jogador do mundo tem uma história controversa.
A revista francesa L’Équipe iniciou a eleição do Melhor Jogador da Europa em 1956, que acabava sendo tido como o principal do mundo. Os critérios e colégio de votantes variavam de ano a ano. Parece desimportante, mas é fundamental. Eleger o melhor do mundo só observando quem joga na Europa é razoável a partir da década de 80, quando os grandes craques começaram a migrar em massa para o mundo europeu. Antes, era duvidoso. Jogadores brasileiros como Pelé, Garrincha, Zico, Rivellino, Sócrates, Falcão, entre outros, estavam fora da lista. Sem falar de argentinos e uruguaios.
Em 1991, a Fifa lançou seu próprio prêmio, chamado de Melhor do Mundo. Mas ainda via apenas o continente europeu. Em 2010, FIFA e L’Équipe uniram seus prêmios. Agora, os dois se separarão novamente. Mas ainda carecemos de critérios mais amplos.
Claro que Messi mereceu suas cinco premiações. Mas como comparar com o passado, quando nem todos os craques eram observados? Aí você já tira o peso da comparação de cinco prêmios de melhor do mundo de Messi contra Pelé.
Mas tem também o outro lado. Em 12 de julho de 1980, o jornal L’Équipe anunciou solenemente que jornalistas das 20 maiores publicações de esportes do mundo elegeram Pelé o “Atleta do Século”. Nem vou entrar no mérito de quais seriam as maiores publicações do mundo na época. Mas eleger o melhor atleta do século a duas décadas do final do mesmo é um absurdo. Uma carreira vitoriosa de jogador de futebol raramente dura 15 anos. Como se antecipar tanto?
Outro exemplo. Em 2000, a FIFA decidiu fazer nova votação sobre quem foi o melhor jogador do mundo no século 20. Pelé foi eleito com quase 73% dos votos de um júri formado por especialistas, técnicos etc. Maradona foi o indicado na votação por Internet, com 53% dos votos (Pelé teve 18%). O resultado foi criticado porque pressupunha-se que os que viram Pelé tinham mais idade e ainda não estavam inseridos no mundo tecnológico, como os jovens que acompanhavam Maradona.
Por isso, usei o critério de vencedores de grandes competições por seus países. E o melhor termômetro é a Copa do Mundo. Messi está fora da lista de mitos neste quesito.
Alguns perguntaram: quantos títulos brasileiros o Pelé ganhou? O Campeonato Brasileiro na formatação atual começou em 1971. Pelé parou de jogar pelo Santos em 1973. Mas, se pegarmos as polêmicas Taças Brasil, forma rudimentar de fazer campeonato nacional e que geraram os corretamente contestados títulos por fax da CBF, Pelé tem cinco. Se pegarmos o Robertão, campeonato mais parecido com um Brasileiro (disputado entre 1967 em 1970), Pelé tem mais um (68).
Ou seja, Pelé ganhou tudo que estava à disposição em sua época. Messi, não. Sem título mundial por seu país, o argentino será um grande jogador, mas abaixo de Beckenbauer, Maradona, Garrincha, Ronaldo Fenômeno e Zidane.
São necessários critérios objetivos para esta análise. Como o alcance da mídia era infinitamente menor há algumas décadas, os jovens hoje não conseguem ter informações para comparar. E assim, o novo menospreza o velho. E isso que prejudica qualquer julgamento isento.
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