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Pelé foi, aos 17 anos, um dos principais destaques do primeiro título mundial da Seleção Brasileira, em 1958. Quatro anos depois, ele se machucou no início da Copa e deixou para Garrincha o brilho solitário do bicampeonato. Em 66, caçado ferozmente em campo e em meio a uma programação bagunçada da CBD, foi eliminado precocemente. Deu a volta por cima em 1970, comandando uma constelação de brilhantes jogadores na festa do tri.
Os super-craques são assim chamados por causa de suas grandes conquistas, em especial aquelas obtidas pelas seleções de seus países. Casos de Franz Beckenbauer (vice em 66, terceiro em 70 e, finalmente, campeão em 74), Ronaldo Fenômeno (2002), Zidane (1998), Garrincha (62) e Maradona (86).
Outros fantásticos jogadores comandaram suas seleções em títulos mundiais, mas, em minha opinião, não tiveram seus nomes registrados no mesmo nível dos mitos da história. Casos de Romário (94), do alemão Lothar Matthäus (90), dos ingleses Bobby Moore e Bobby Charlton (66), do argentino Kempes (78) e do espanhol Iniesta (2010). São grandes nomes de todos os tempos, mas não estão entre os maiores.
E existe ainda o clube de craques que impressionaram em campo, mas não têm título mundial por suas seleções. Neste time, estão o francês Michel Platini, o holandês Johan Cruijff, os brasileiros Sócrates, Zico e Falcão, o português Cristiano Ronaldo, entre outros.
Pois é justamente neste último grupo que Lionel Messi se encontra agora – junto com Neymar. Ele é, sem dúvida, o melhor jogador da atualidade. Mas está longe de ser o melhor da história. Aliás, nem na história argentina ele tem este lugar de destaque, que ainda pertence a Maradona. Quem viu “El Pibe de Oro” jogar, sabe que jamais uma derrota como a de 3 x 0 para o Brasil seria tão melancolicamente assimilada como no caso de Messi. Maradona comandava seu time e dava o exemplo de talento e raça.
Alguns podem dizer que Messi ganhou tudo que foi possível pelo Barcelona. É verdade. Mas não é igual a uma conquista pela seleção. Jogar em um dos clubes mais ricos do mundo é bem mais fácil do que jogar por seleções. O Barcelona é uma superseleção mundial graças ao seu poder de comprar qualquer grande craque do mundo. Na seleção, não é assim. Você tem que jogar com os que nasceram em seu país, ou se naturalizaram.
E nem sempre você tem ao lado os melhores do mundo. Apesar de que a Argentina tem Di Maria, Mascherano, Higuaín, Aguero, jogadores que poderiam ser titulares em qualquer seleção do mundo. E ainda se dá ao luxo de deixar Tevez de fora – dizem que por causa de veto do próprio Messi.
Mesmo assim, Leo ainda não conseguiu o feito que o colocaria no grupo de elite do futebol mundial. Ficou perto em 2014, mas a Alemanha interrompeu seu sonho.
É muito legal ver Messi em campo. É um gênio, um fora de série, superdotado de talento. Mas ainda falta algo para que ele ocupe o mesmo patamar de Pelé, Maradona, Beckenbauer, Ronaldo Fenômeno, Garrincha e Zidane.
A boa notícia é que ainda dá tempo. Mas tem que correr muito para não pagar o mico de não classificar a sempre favorita Argentina para uma Copa do Mundo.