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No Ângulo | Futebol é preciso

A Felicidade Não Se Compra

13/02/2016

Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo

“A Felicidade Não Se Compra”, de Frank Capra, é mais do que um clássico do cinema. É daqueles filmes revigorantes, que marcam.

A história gira em torno de George Bailey, vivido por James Stewart, que, em meio a um grave problema financeiro, vê-se frustrado com a vida, e decide se suicidar. A fim de evitar essa tragédia, um espírito desencarnado aspirante a anjo é enviado à Terra, na véspera do natal. Visível e devidamente identificado, fala de sua missão e, de maneira aparentemente despretensiosa, aduz que seria um desperdício a morte de seu protegido, já que ele vinha sendo importante para muita gente. Ante o ceticismo de George, que se sentia um fracassado, o “amigo espiritual” aponta várias situações que teriam acontecido se não fosse sua interferência.

Bom, nas últimas linhas voltarei ao filme. Tratemos agora de futebol. E o assunto do momento é… Robinho.

Certa vez ouvi do ilustre Paulo Vinícius Coelho (à época na ESPN Brasil) que todo jornalista esportivo que trabalha com futebol é (ou pelo menos já foi em algum momento de sua vida) apaixonado por um clube. Torce, vai ao estádio, sofre com as derrotas etc. Logo, tem paixão.

Definitivamente, concordo com o PVC. Daí a minha frustração pelo modo como a ida de Robinho para o Atlético-MG foi tratada por alguns analistas: de maneira fria e simplista.

Como bem defendeu o colega Gabriel Rostey, “muito me admira ver tanta gente da imprensa (especialmente os que posam de tão idealistas) naturalizando essa visão de o dinheiro determinar em 100% uma negociação”.

Empresários tratarem os seus jogadores como mercadoria e colocá-los em verdadeiras enrascadas (como atuar na fria Rússia, na China etc), vá lá. Mas não aqueles que carregam a missão (pelo menos eu me sinto assim) de tentar propagar uma ideologia romântica para o futebol.

Robinho recusar o Santos, do jeito que foi a negociação (mesmo com todo aquele blá blá blá de que está no direito dele, o que é óbvio), é sim uma derrota do futebol.

Voltando ao filme, George, como era de se prever, foi salvo pelo anjo.

Já Robinho não teve a mesma sorte. Aparentemente, não teve quem lhe apontasse a sua importância histórica e o impacto negativo da sua decisão para aqueles que mais o tinham em conta.

Aquela relação bonita de Robinho com o Santos morreu.

E segue o jogo.

 

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