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É quase senso comum entre os jornalistas esportivos que o Palmeiras é “o” favorito à conquista do Brasileirão deste ano.
Nas próximas linhas, listo os motivos pelos quais não concordo com esse prognóstico:
– Desde o início da “era Nobre/Mattos/Crefisa”, marcada pelo alto investimento no departamento de futebol, o Palmeiras tem convivido com a pecha de “melhor elenco do Brasil”, “maior candidato ao caneco” etc. No entanto, em que pese o título da Copa do Brasil do ano passado (conquistado a duras penas, muito mais na base do abafa, da força da torcida, do que pelo futebol jogado), o “Palestra” pouco tem feito para justificar a fama de “o time a ser batido” que carrega. Pelo contrário, só faz decepcionar. Prova disso é que Cuca já é o terceiro treinador dessa “nova fase” do clube (Oswaldo de Oliveira e Marcelo Oliveira foram os anteriores);
– Em 2016, a decepção verde é evidenciada pelos números. Senão vejamos: pela Libertadores, da qual o Palmeiras foi eliminado na primeira fase (tendo sido o primeiro clube grande paulista a passar por esse vexame no formato atual da competição), foram conquistados apenas 8 dos 18 pontos disputados (aproveitamento de 44,4%). Pelo estadual, torneio sabidamente de inferior nível técnico, de 51 pontos disputados, conquistou 28 (aproveitamento de 54,9%). Finalmente, sob o comando do técnico Cuca, foram 20 pontos somados de 36 possíveis (aproveitamento de 55,5%). A título de comparação, o Corinthians campeão brasileiro de 2015 teve um aproveitamento de 71,1% (!) dos pontos disputados;
Aproveitamento de pontos do Palmeiras em 2016
– Libertadores – 44,4%
– Paulista – 54,9%
– “Era Cuca” – 55,5%
* o Corinthians campeão brasileiro de 2015 teve um aproveitamento de 71,1% (!) dos pontos disputados
– Naturalmente que se considerarmos um elenco de atletas de uns 30 jogadores, o do Palmeiras se destaca positivamente no Brasil. Ele é numeroso e, dentro dos padrões atuais, possui qualidade. Só que, no futebol, ter um grupo homogêneo não costuma ser algo a ser celebrado, pelo contrário (percebam que até os elencos de um Bayern, um Barcelona ou um Real Madrid têm “os caras que decidem”, há uma discrepância de nível entre os jogadores). O time do Palmeiras não tem protagonistas. As equipes titular e reserva são parecidas, não há uma hierarquia. Faltam grandes jogadores, aqueles com quem a torcida sabe que pode contar. Como foram Ademir da Guia, Rivaldo, Evair, Edmundo, Alex e tantos outros (quem sabe Cleiton Xavier, que parece estar “ressuscitando”, possa ser esse cara, já que Gabriel Jesus e Dudu são irregulares). Sem falar que Edu Dracena, Zé Roberto e Arouca são, hoje, apenas grife. Estão longe do desempenho que já tiveram um dia;
– Claro que não vou negar o óbvio: o Palmeiras está jogando melhor com Cuca. Nomes como Tchê Tchê, Egídio, Matheus Sales e Róger Guedes, embora ainda incógnitas, deram uma oxigenada no time, que tem dado uma resposta positiva. Sem falar que o importante Gabriel e o fundamental Cleiton Xavier – ah, como um meia-armador faz(ia?) falta a esse time – voltaram e, aparentemente, bem;
– Prova disso, é que, se excluirmos das estatísticas as 4 primeiras partidas do Palmeiras sob o comando de Cuca (4 derrotas), quando é razoável supor que o treinador ainda “arrumava a casa”, o seu aproveitamento saltaria de 55,5% para espantosos 83,3% (embora aqui deva ser considerado que Cuca tenha enfrentado o River Plate-URU já eliminado da Libertadores, assim como outros adversários com a situação já resolvida no Campeonato Paulista, em um curto universo de 8 partidas – 6 vitórias e 2 empates);
– De maneira que, ainda que a perspectiva seja de crescimento, o Palmeiras não faz jus ao rótulo de “o favorito do ano”. Ao seu lado, também postulantes ao título, figuram Atlético Mineiro, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, Santos e São Paulo, cada qual com as suas dúvidas e certezas para o restante da temporada.
E segue o jogo.