
Créditos da imagem: Marcos Ribolli
Os uruguaios calaram toda a nação brasileira na final da Copa do Mundo de 1950, disputada no Maracanã, no jogo de futebol que tenho como o mais “histórico” de todos os tempos.
Sobre essa partida e os seus desdobramentos, Eduardo Galeano escreveu um artigo consagrado a Obdulio Varela, capitão da seleção uruguaia naquela oportunidade, que é uma pequena obra-prima. Se você ainda não leu, procure na rede e leia! E viaje no tempo e nas emoções.
O Maracanazo foi em 1950. Mais de 30 anos antes do meu nascimento, portanto.
Óbvio que não sou maluco de querer comparar em pé de igualdade um duelo que certamente é (e para sempre será) um dos mais marcantes da história do esporte, com uma reles semifinal de Campeonato Paulista, mas aproveitando que acompanhei in loco a partida entre Santos x Palmeiras, permita-me o leitor que este que vos escreve cometa esse pequeno sacrilégio.
Bom, o Santos, com dois gols de Gabigol, vencia por 2×0 o Palmeiras com relativa tranquilidade e demonstrava a sua inegável superioridade técnica e tática, com direito a festa antecipada da torcida (única presente no estádio, em razão da polêmica determinação da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) até os 41 minutos do segundo tempo. A partir daí, só emoção. Aos 42, o palmeirense Rafael Marques diminuiria o placar e, aos 43 (!), ele marcaria de novo e empataria a partida. Para calar a Vila Belmiro.
Sabe o tal do “silêncio ensurdecedor”? Pois é, ele deu as caras na Vila.
A comemoração “sem som” dos gols palmeirenses proporcionou um sentimento dos mais esquisitos que já presenciei em uma partida de futebol, algo que os próprios jogadores alviverdes – imagino – devem ter estranhado.
O fato de o jogo ter sido realizado com a presença única da torcida mandante acentuou o sentimento de incredulidade, misturado com tristeza e até revolta, que somente aos poucos foi sendo absorvido pelos santistas presentes na “Vila mais famosa do mundo”.
Enfim, ingredientes para a tragédia do Santos (e dos quase 14 mil santistas ali presentes) não faltavam.
A sensação no estádio – pelo menos assim foi a minha – é a de que os jogadores santistas sentiriam o golpe do empate na hora das cobranças das penalidades máximas.
Os pênaltis, aliás, seriam a pá de cal de mais uma derrota frustrante contra o Palmeiras (à-la Copa do Brasil de 2015).
Seriam. Se não fosse por Vanderlei. O “invisível” goleiro santista defendeu duas cobranças – a de Lucas Barrios e, ironicamente, a de Rafael Marques, autor dos dois gols palmeirenses com a bola rolando – e viu Fernando Prass errar a derradeira cobrança, a que classificaria o Santos para a final contra o badalado (!) Osasco Audax, de Fernando Diniz, que já enfileirou São Paulo e Corinthians.
E assim Vanderlei impediu o Vilanazo, fazendo justiça ao melhor futebol de seu time, é bom que se ressalte.
Os santistas agradecem.
E segue o jogo.