
Créditos da imagem: Mateus Bruxel / Agencia RBS
Tite anunciou a lista dos 23 felizardos que estarão na Copa do Mundo da Rússia. Entre os 23 nomes, aparecem apenas três que ainda (ou de novo) atuam no futebol brasileiro: Cássio, Fagner e Geromel.
Analisando esses nomes, temos Cássio e Fagner do Corinthians -último time treinado pelo Tite e homens de confiança do treinador- além de Geromel, que hoje talvez seja uma daquelas raras unanimidades, tanto por parte da crítica especializada, quanto por parte dos torcedores.
Analisando os papéis desses três jogadores na Copa, vemos o Cássio como terceiro goleiro; Fagner saindo atrás de Danilo na disputa pela titularidade, dito por Tite durante a coletiva da convocação; e Geromel, que na mesma coletiva, quando perguntado se a dupla titular já estava formada, sequer foi lembrado por Tite, que citou uma “boa dor de cabeça para escolher dois jogadores entre Marquinhos, Miranda e Thiago Silva”.
Eu, gremista, vou basear meu raciocínio de acordo com as situações do meu time. Mas tenho certeza que cada leitor deste texto conseguirá pensar em um nome do seu próprio time, e encaixar neste raciocínio.
Luan, referência técnica do Grêmio campeão da Copa do Brasil 2016, da Libertadores da América 2017, da Recopa Sul-Americana 2018 e do Campeonato Gaúcho de 2018, eleito o “Rei da América 2017”, Craque da Libertadores 2017, Bola de Prata e Craque do Brasileirão 2015, Bola de Prata 2017 e Futebolista do Ano no Prêmio Brasil Olímpico 2017, além de ter sido medalhista olímpico com destacada atuação em 2016, não está entre os convocados.
Em meados de 2016, Luan recusou uma proposta financeiramente muito boa para ele e para o Grêmio, pois não queria jogar no futebol russo e sair do radar da Seleção Brasileira. Ficou, ganhou prêmios, ganhou títulos e ganhou pouco mais de 5 minutos em campo pela Seleção. Mas, está fora da Copa.
O Brasil já não consegue competir com a Europa em relação aos salários, e nesse ponto já perde até para mercados obscuros como Oriente Médio, China, Rússia e outros.
E agora, Tite nos mostra que futebolisticamente não vale a pena um jogador “investir” no Brasil. Não existe reconhecimento. Ficar no Brasil significa se afastar daquilo que é o grande sonho de todo jogador de futebol: disputar uma Copa do Mundo.
Além do Luan, posso citar Marcelo Grohe, que há pelo menos dois anos opera milagres no gol do Grêmio, enquanto o Alisson lutava pra se afirmar na Roma. Arthur, uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos, já contratado pelo Barcelona por um valor recorde para os clubes do Sul do país. Mas não teve a sorte de chamar a atenção do Shakhtar Donetsk, um dos maiores “celeiros de craques” da atualidade, mesmo sem qualquer destaque em competições europeias. Fred e Taison, que afortunadamente compõem esse elenco estrelado, carimbaram seus passaportes para a Rússia.
Tite tem tudo para ser o próximo campeão mundial com a Seleção Brasileira. Mas, nessa convocação, prestou um grande desserviço para o futebol brasileiro. Definitivamente, nosso glorioso Adenor Bachi expôs aos quatro ventos uma verdade que nós lutamos muito para contrariar: não vale a pena jogar no Brasil. E assim nosso futebol vai ficando cada vez mais feio e mais pobre.
Uma pena.