
Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo
Ao contrário da interpretação errada de muitos, Leonardo Gaciba não disse que o são-paulino Luciano estava em posição legal contra o Atlético Mineiro. O que confirmou foi a pausa errada da imagem, antes mesmo que a bola fosse tocada pelo passador. Nada assegura que a paralisação correta mostraria Luciano em condições de jogo. Por outro lado, não há dúvida de que Pablo estava impedido no gol validado-anulado contra o Ceará. Mas a lambança foi tão grande que só faz sugerir uma necessidade imediata: a suspensão do VAR para reciclagem dos envolvidos.
O que se viu no Castelão foi, de todas as confusões até aqui, a mais gratuita. O bandeira acertou sem dificuldades. Pablo estava bem à frente, sem necessidade de linhas e pontilhados. Bastava continuar o jogo, no máximo com uma consulta de poucos segundos. Mas o horroroso Wagner do Nascimento Magalhães, sem sequer conferir na tela, validou um gol ilegítimo. O erro de fato já seria assunto para todas as mesas redondas e tias do ZAP. Foi quando veio o elemento surreal: logo após o Ceará dar a saída, uma segunda comunicação do VAR resultou na invalidação da validação do inválido. Um impressionante erro de direito, com influência direta no resultado. Só não anulará o jogo se o SPFC preferir não se valer da possibilidade – e se a Justiça Desportiva não fizer um malabarismo de saltimbanco trapalhão.
Infelizmente, a despeito de este ter sido o pior conjunto de erros num único lance, a aplicação do VAR à brasileira foi até além das fronteiras. Na partida entre Argentina e Paraguai, um gol de Messi foi anulado por falta ocorrida um minuto antes. No resto do mundo, ajustou-se que a possível falta prévia só deve ser revisada se decisiva para o gol. Caso o adversário consiga se reposicionar, o lance é zerado. Não foi o que pensaram o pomposo Raphael Claus e sua trupe. Fora os diversos jogos em que lances interpretativos (contato suficiente ou não para derrubar) foram revistos, em desrespeito à orientação de reservar o recurso a erros flagrantes. Estas incompreensões não são exclusivas da arbitragem nacional, mas o país é nota “10” em todos os quesitos de ineficácia. Como entoaria Carlos Imperial:
- Tempo excessivo de paralisação – DEZ, NOTA DEZ!!!!!
- Imprecisão no frame do impedimento – DEZ, NOTA DEZ!!!!!
- Revisão de jogadas puramente interpretativas – DEZ, NOTA DEZ!!!!!
- Falta de prevalência da opinião do árbitro sobre auxiliar – DEZ, NOTA DEZ!!!!!
- Omissão do árbitro em pênaltis claros, deixando a bucha para o vídeo – DEZ, NOTA DEZ!!!!!
O grau de complicações destrói a ideia de reduzir falhas. Na bagunça do Castelão, foram quatro minutos desperdiçados. Os jogadores ora ficam esperançosos, ora atônitos, toda vez que o “quadrado trágico” é desenhado no ar. Nem o torcedor do time beneficiado fica satisfeito. Sabe que a alegria momentânea pode virar revolta no próximo bate-rebate na sua área. Ou na falta para cartão amarelo que a câmera lenta transforma em golpe de MMA. Todas estas falhas seriam evitáveis de plano, se nossos árbitros tivessem inteligência como requisito primordial. Como não têm, só o treinamento bem orientado pode produzir, por condicionamento, a eficiência prometida aos participantes. O intervalo de três semanas, até a semifinal da Copa do Brasil, parece adequado para uma reeducação de emergência. Colégio interno pra todo mundo.
Não pararia por aí. Considerando que a reciclagem-relâmpago não seria imune a recaídas, ainda estabeleceria a possibilidade de, havendo acordo prévio entre os dois clubes, o VAR ser excluído ou ter uso restrito numa partida. O combinado, como já dito, não sai caro. Seria assim pelo menos até a temporada seguinte, quando um curso realmente completo reorganizaria o que, hoje, é um desastre de que nem Didi, Dedé, Mussum e Zacarias topariam participar. O pastelão do VAR não tem graça nenhuma.
Colaborou Danilo Mironga