
Créditos da imagem: AP Photo/Martin Meissner
Não importava que a estreia contra a Croácia tivesse sido um sufoco, com direito ao primeiro gol contra brasileiro na história das Copas. Também não importava que contra o México o time tivesse se mostrado ainda menos criativo e com menos conjunto. Ignorei o “teste para cardíaco” (para alguns, literal) que foi aquela disputa de pênaltis contra o Chile, em que não merecemos passar. Ah sim, teve a cereja do bolo: o golpe de Zuñiga na nossa maior estrela, que vinha sendo um dos poucos jogadores com alguma lucidez naquele catado que o outrora mágico Felipão tinha escalado no decorrer da Copa no Brasil.
Contra a Alemanha, apostava no coração na chuteira, no “vamo, vamo!”, nos três volantes do Felipão, responsável -junto com São Marcos- pela maioria das minhas alegrias futebolísticas. Mas Felipão ouviu Rizek, deixou os três volantes para depois, apostou na alegria nas pernas do Bernard…
Mas este texto na verdade é quase uma confissão de culpa: eu não lembro do 7 a 1. Não lembro do gol do Klose, do Khedira tabelando na área, do Galvão falando que virou passeio. Não lembro do choro do David Luiz, não lembro de nada! Só lembro do meu avô saindo cabisbaixo, com os olhos marejados, não esperando o resto do churrasco, não tinha mais clima. Ele viu Gilmar, Bellini, Djalma Santos, Zito, Pelé. Não merecia aquele 8 de julho.
Talvez eu não lembre porque minha memória mais marcante (e preferida das Copas) seja um jogo em que acordei às 4 da manhã, junto com meu pai, vendo Ronaldinho numa das grandes atuações de um jogador que já vi na vida. O 7 a 1 foi apagado por algum mecanismo mental de auto-defesa.
Deixo aqui meu desagravo a quem inventou esse amistoso. Definitivamente não precisava. Tem sido um suplício diário rever lances que eu não lembro, gols que eu apaguei da memória (embora não tenha sido um apagão). Só espero que passe logo. Lá vem eles de novo…