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Garantidos constitucionalmente, o direito à presunção de inocência, assim como o direito de defesa antes de qualquer julgamento, pertencem a todos os cidadãos. Imagino que todos concordem com isso.
No entanto, depois do estranho não comparecimento à Copa América, no Chile, em que o normal seria que a maior autoridade do futebol brasileiro acompanhasse a sua seleção, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero (foto), acaba de anunciar que não estará presente no encontro organizado pela FIFA, em Zurique, na Suíça, que tratará da reforma da entidade e da sucessão de Blatter, o que, como bem sugeriu o Bom Senso, através de nota oficial, “é um vexame e quase uma confissão de culpa”, complementando, ainda, que “a CBF está, na prática, sem presidente”.
Assim, a nota acaba sugerindo que Del Nero estaria evitando essas viagens internacionais (o dirigente, vice-presidente do Comitê de Organização do Mundial de 2018, também não irá ao sorteio das Eliminatórias a ser realizado na Rússia, no próximo dia 25), por temer eventual “convite” da polícia para esclarecimentos, já que estaria sob investigação.
E convenhamos, como não concordar com o bem intencionado grupo liderado por ex-atletas e bastante gente competente do meio futebolístico? Afinal, a sensação é a de que o futebol brasileiro está mais à deriva do que nunca. Simplesmente não seremos representados por “nosso” presidente, que não estará em terras suíças para levar as ideias e posicionamentos do Brasil em um encontro que debaterá os novos rumos do futebol, que vive a maior crise de sua história, após a eclosão do escândalo da FIFA que já levou nomes como o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, à prisão (suíça!) e à renúncia de Joseph Blatter.
Dessa forma, a CBF ficará fora dos debates sobre a nova composição do governo da entidade máxima do futebol mundial, em uma (falta de) ação que poderá nos custar muito caro. Não que tivéssemos alguma esperança de qualquer contribuição positiva a ser dada pela cartolagem brasileira. É que tem momentos em que ao menos esperamos que tentem nos enganar, tenham o mínimo de respeito pela “liturgia” do cargo. Simplesmente fugir assim, descaradamente, é vergonha demais.
Pois é, o ventilador do FBI foi ligado à sua potência máxima e fez estrago. E a julgar pela postura melindrosa e cautelosa de Del Nero, deverá fazer ainda mais.
Em tempo: oficialmente, o dirigente explicou à FIFA que a CPI do futebol da CBF e a Medida Provisória que parcelou a dívida dos clubes o impedem de se ausentar do Brasil.
Ah, pra cima de moi, Del Nero?
E segue o jogo.