
Créditos da imagem: Alexandre Schneider/Getty Images
Quando começou a se falar na possibilidade de Rogério Ceni se tornar treinador do São Paulo, afirmei, em texto publicado por No Ângulo, no dia 17 de novembro de 2016, que o ex-goleiro deveria começar por baixo. Defendi que seria muito arriscado colocar o ídolo no posto de técnico do time principal sem ele ter tido nenhuma experiência anterior.
Dei como exemplo o sucesso de Pep Guardiola, que treinou o Barcelona B antes de brilhar no time principal. E as dificuldades de Paulo Roberto Falcão à frente do comando da Seleção Brasileira e do Inter, duas camisas que vestiu na condição de estrela.
Para agravar ainda mais o momento vivido por Ceni no São Paulo, sua chegada fez uma rara combinação negativa, composta de três elementos:
Momento impróprio – o São Paulo enfrenta uma carência de quase uma década sem títulos. Um time que se julgava Soberano e que há muito tempo não tem feito apresentações que empolgassem torcedores e amantes do futebol. Não era hora de fazer apostas no escuro.
Estrutura inadequada – Desde a tragédia da gestão Carlos Miguel Aidar, o São Paulo tenta reequilibrar o caixa e sua estrutura político-administrativa. Com problemas financeiros, o clube tem um elenco modesto. Mesmo os mais fanáticos, que acreditavam ter uma equipe competitiva, ainda que apenas dentro de São Paulo, acabaram percebendo que o que era duvidoso ficava cada vez pior com a venda em série de jogadores, incluindo o desperdício de promissoras revelações.
Nome incerto – Aliado a tudo isso, havia ainda a personalidade do técnico, que nunca foi humilde e sempre preferiu apontar o dedo para eventuais culpados do que fazer autocrítica. A cada jogo em que o time se afundava, Ceni dava entrevistas patéticas, usando dados menos importantes para tentar justificar o que estava ficando cada vez mais injustificável. Perdia os jogos, mas não abandonava a pose. Passava a ideia de um sujeito descolado da realidade.
Terminada de forma melancólica a tentativa de fazer do ídolo o comandante da recuperação do clube, muitos dirão que Rogério foi injustiçado, que a diretoria não lhe deu o respaldo devido, vendeu muitos jogadores, usou o time como vitrine etc. Outros falarão que ele não tinha nível para ser técnico do time principal neste momento, que lhe falta humildade para assumir a responsabilidade no momento de crise, que se perdeu em meio à vaidade e à falta de experiência.
O pior é que todos que defenderem essas diferentes opiniões terão certamente uma boa dose razão.