
Créditos da imagem: Esporte Interativo
Leio e ouço que a Fox vai cobrar de quem quiser ver da poltrona, regado à cervejinha e pipoca, os jogos do Campeonato Espanhol (um dos melhores, graças à quantidade de craques importados). E, claro, vejo o pessoal que curte o melhor, bronqueando e prometendo boicotar. Melhor dizendo, não pagar para ver. Em seguida, na bucha, mandam que, a grosso modo, o Esporte Interativo “já era”. Dão mil explicações para justificar a decisão da Turner. Uma delas é a grana pedida para mostrarem aqui os jogos da Liga Inglesa – 200 milhões.
Vejamos. Em 1970, fui trabalhar numa revista de esportes e lá fiquei por mais de 12 anos, até ter a sorte de ser despedido. A revista custava 1,00 de moeda da época. Foi um sucesso até terminar a Copa, quando chegou a vender mais de 240 mil exemplares. Em seguida afundou para 59 mil, falaram que ia fechar e deram um ultimato à meia dúzia de gatos pingados que restaram – os demais, do comando, foram para outras revistas: “tem três meses para vender 90 mil ou…”. Não vendeu, apesar de nosso esforço. Passou de 75 mil e foi ficando…
Um dia, já bem mais pra frente, quando cobravam 1,50 e pensavam pedir um pouco mais, reuniram entendidos no assunto para dar palpites e conselhos: bota mulher pelada, a garotada vai gostar – a média de idade dos leitores era de 14 a 25 anos. “Façam isso, façam aquilo” até que um foi direto no fígado: o dinheiro anda curto. O chefe da casa compra a Veja para o escritório, a Playboy para momentos de diversão, a Claudia para a patroa, a Quatro Rodas para o filho mais velho e a revista em pauta para o mais novo. E começa a cortar os gastos na ordem inversa. O gênio cantou a bola faz muitos anos. Basta olhar quais, e em que situação, estão ainda nas bancas.
Quando os clubes fundaram o Clube dos 13, seu diretor de marketing, Jaime Franco, claro, buscou vender melhor a transmissão pela televisão do Campeonato Brasileiro, exclusividade da Globo, que pagava pouco. Achou uma que bancava mais do que o dobro. Não vingou. Tinha o problema jurídico da preferência para renovação. Tinha o presidente de um dos clubes, brigador, ao seu lado. Mas o que valeu mesmo foi a falta de confiança na emissora candidata. Seu dono tem a fama de mudar tudo do dia para a noite – mesmo pagando direito. Conseguiu um aumento e foi ajustando outros, até hoje. E a dona do campeonato adora adiantar cotas para os clubes…
Ora, a Fox, a Turner, a Disney – esse pessoal que fatura em verdinhas – tem grana que não acaba mais, mas são ricos exatamente porque sabem negociar. Porque não jogam dinheiro pela janela. Dão o pirulito “de graça” por um tempo e depois, quando o garoto se acostuma, botam o preço. E sabem, melhor que todos, quando o vendedor está exagerando no preço do produto oferecido – ainda que de qualidade. Querem vender o produto futebol (esporte) e com ele ter lucro. Não querem transferir todo ou grande parte do faturamento para os clubes que cada vez mais pagam por jogadores – de grande, boa ou apenas razoável qualidade. Todos os dias se lê que o time tal quebrou o recorde pelo atacante tal ou pelo goleiro igual…