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No Ângulo | Futebol é preciso

Sobre o “crime” cometido pelo Linense. E mais

05/04/2017

Créditos da imagem: Blog Como Ganhar Dinheiro

Andei ganhando uns prêmios pelo que falei e escrevi. Um deles, o primeiro, dado pela ACEESP, em 1967, foi sobre as amarguras que vivia o bandeirinha Germinal Alba, da equipe de Armando Marques, nos jogos pelos campinhos do interior. Aqueles em que a lateral por onde corria ficava colada ao alambrado, ao alcance das mãos e das certeiras cusparadas e escarradas dos torcedores locais. Seu pequeno uniforme preto chegava a pesar mais de 500 gramas após os 90 minutos.

Era assim, no grito, com cascudos e catarro que muitas vezes os times do interior aterrorizavam e venciam os grandes da Capital. E, foi quando trocaram seus alçapões por belos e confortáveis estádios, que Botafogo e Comercial de Ribeirão Preto, XV de Piracicaba e Guarani passaram a sofrer quedas e derrapadas. E é, também, porque manteve a proximidade entre seus torcedores e os visitantes, que a Ponte Preta, bem ou mal, vai se segurando.

Saiamos do Brasil e cheguemos à Argentina, onde seus times tantas vezes ganharam Libertadores no grito, na base das pilhas velhas e das moedas jogadas nas cabeças dos visitantes. Alguns estadiozinhos continuam sendo usados, mas lá a multiplicação das câmeras de televisão, na função de BBB, ajudaram a dar um basta e a refrescar a vida dos “alienígenas”.

O tempo dos jogos ganhos no grito, do futebol amador, das rendas limitadas às bilheterias, às vezes levadas para a casa dos cartolas e “roubadas” no caminho, acabou. Ou pelo menos diminuiu bastante. Tornou-se, feliz ou infelizmente, o que os “poliglotas” do ramo chamam de “bizinis”.  E eles, cada vez mais, em verdadeiros “Bye, bye, Brazil”, levam seus times para onde pagam mais.

Quantas vezes o Flamengo tem deixado sua fantástica torcida no Rio, aquela que lotava o Maracanã e ainda sobrava, para jogar por aí?

Quantas vezes o Palmeiras se mandou para Prudente, Rio Preto, interior do Paraná? E o Santos, que só não abandona seus 8 mil fieis, mas nem sempre, tirando os jogos da Vila, onde diz ter mais chances de vitórias – é um dos remanescentes alçapões  – para jogar no Pacaembu ou por aí?

Nem vou falar da Seleção…

Já viram onde quero chegar, né? Na grita contra o Linense, que acertou fazer as duas partidas contra o São Paulo no Morumbi, visando uma arrecadação muito maior do que teria em seu pequeno estádio, mas sem, é claro, abrir mão da briga pelos pontos que podem levá-lo às semifinais. Fez o acordo com o São Paulo, como faria com o Corinthians, o Palmeiras… Não me venham dizer o contrário. Nem que os cartolas do Corinthians ou do Palmeiras não aceitariam a proposta. Ou, antes, não a fizessem.

Os elogios dedicados aos outros times, quando enfiam seus jogadores em aviões, e até ônibus, para jogar por aí, falando de administração profissional e que tais, transformaram-se em severas críticas aos dirigentes do Linense. Ninguém deu bola para as despesas do clube. Nem pela média de torcedores no seu estádio. Os mais prevenidos propuseram que cobrassem uma fortuna por um ingresso, como se tivessem em mãos os saldos bancários dos torcedores da região.

Ouvi, até, que, se venderam o mando do jogo, poderiam vender, também, o próprio resultado. Pobres  jogadores seriam coniventes. Falarão das malas com dólares que “caíam do avião, em pleno voo”, quando o Santos regressava de ricas excursões pelo mundo? Dos milhões que evaporaram dos cofres do Flamengo? Das acusações que ainda pesam sobre quem comandava a base no Corinthians? Da conquista do título de 1977? Cobrarão informações sobre os acontecimentos que levaram um presidente do São Paulo a renunciar? Lembrarão de fatos, no mesmo clube, ligados às eleições de abril no Morumbi?

Faltam tempo e espaço para muito mais…