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No Ângulo | Futebol é preciso

Sobre Cuca e Abel Ferreira. No pique! (exclamação)

01/02/2021

Créditos da imagem: Reprodução GE

Treinadores foram os protagonistas de uma final modorrenta

Cuca assumiu o Santos num cenário de terra arrasada. Desde então, foi treinador, psicólogo, administrador e, como chegou a afirmar Marinho, até “presidente” de fato do clube antes do providencial impeachment de José Carlos Peres.

Sem ele, dá para cravar que o Santos não teria chegado à final da Libertadores.

No entanto, “na hora de levar um dez”, o treinador santista atuou de maneira bastante infeliz na decisão do principal campeonato do continente e praticamente tirou a chance de o seu time ganhar do arquirrival Palmeiras ao equivocadamente preferir escalar a cadência do volante Sandry em vez da versatilidade e intensidade do atacante Lucas Braga.

Veja, Lucas Braga não é Pelé. Sequer é um dos protagonistas do Santos. No entanto, desde que virou titular, muito em razão de sua privilegiada leitura tática e vigor físico, o jogador revelado por Cuca equilibrou todos os setores da equipe e elevou o rendimento de seus companheiros. De maneira que eventuais alegações sobre o calor que fazia no momento da partida e/ou o forte meio de campo do Palmeiras são fatores que explicam, mas não justificam o erro. Com dita alteração, o jogo baseado na pressão da saída de bola e na velocidade nas transições (o que estava compensando a ausência de um meia armador, posição carente no time desde a contusão de Carlos Sánchez), que foi o que levou o Santos à condição de finalista, foi trocado por um estilo especulativo, com o qual os jogadores não estavam habituados.

O Santos foi um verdadeiro peixe fora d´água e perdeu sem ser o Santos. Esteve covarde, opaco, perdido. E ainda viu seu técnico atuar de maneira patética no lance em que impediu Marcos Rocha de pegar a bola e praticar um simples arremesso lateral. Tão patético quanto aqueles que estranhamente o defendem. Ora, Cuca tinha mesmo que ser expulso, é inconcebível um treinador interferir daquela maneira numa partida.

Por fim, ainda sobre Cuca, nunca saberemos se o lance do gol do título do Palmeiras teria acontecido não fosse a sua presepada. Mas é assim que ficará para a história, o que considero bom para fins pedagógicos.

Sobre Abel Ferreira, além dos evidentes méritos pela conquista (mesmo considerando a sorte palmeirense nos cruzamentos, algo semelhante àquele ocorrido com o Santos de Ganso e Neymar em 2011), já que os números do seu time foram os melhores da competição e, falando especificamente da final, a defesa alviverde se portou muito bem, a ponto de anular os destaques santistas Soteldo e Marinho, o treinador português é de uma sobriedade ímpar, uma lucidez e um senso de empatia que transcende o campo.

Ao que tudo indica, trata-se de um grande profissional que estamos tendo a oportunidade de acompanhar de perto em gramados brasileiros, com muito a nos ensinar.

E segue o jogo.