
Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo
Quando o assunto é direito de transmissão no futebol, não há como escapar de uma boa polêmica.
O fato é que os direitos televisivos são, hoje, a principal fonte de receita para os clubes e, por outro lado, geram audiência e patrocinadores para os seus detentores.
Atualmente, os direitos de transmissão no Brasil (tanto dos canais abertos quanto os fechados) são negociados individualmente entre as emissoras e os clubes. Hoje, dezoito clubes mantém acordo com a Rede Globo, detentora dos direitos televisivos até 2018. São eles: Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Grêmio, Inter, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Coritiba, Atlético Paranaense, Goiás, Bahia, Vitória e Sport.
O assunto voltou à baila após a recusa da maioria dos clubes, insatisfeitos com os valores oferecidos, em renovar por mais duas temporadas os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro com a principal emissora de televisão do país.
Para a maioria dos dirigentes, a distribuição desigual dos recursos provenientes de transmissão e direitos de imagem do Campeonato Brasileiro, poderia levar à “espanholização” do futebol brasileiro.
“Espanholizaçāo” é um termo criado por Amir Somoggi para definir o futuro do nosso futebol, caso não haja uma equiparação das cotas de televisão para os clubes. Para muitos dirigentes, a não equiparação das cotas poderá causar até mesmo o fim de muitos clubes pequenos.
Aqui, ainda que a diferença entre o clube que mais recebe e o que recebe menos seja bem menor que acontece na Espanha (12 vezes), a preocupação é evidente.
A Rede Globo tem tentado convencer os clubes que o cenário no Brasil é muito diferente do espanhol, no qual Barcelona e Real Madrid ficam com aproximadamente 40% de toda a arrecadação, ficando os 60% restantes para as demais equipes, o que ajuda a explicar a disparidade de elencos da dupla com os concorrentes. De acordo com a emissora, Flamengo e Corinthians ficariam com “apenas” 20% da receita total.
Para efeito de comparação, na “Premier League”, primeira divisão do futebol inglês, a fórmula utilizada busca manter a competitividade dos clubes. Lá, 70% do valor total é dividido em partes iguais pelos 20 participantes, o restante (30%) é divido de acordo com a classificação da equipe na competição (15%) e pela média de audiência por ela alcançada (15%).
Critério semelhante é utilizado no “Calcio” italiano, onde 40% são divididos em partes iguais, 30% de acordo com o desempenho e os outros 30% considerando o tamanho das torcidas de cada clube. Já na Bundesliga, a liga alemã, os direitos são repartidos em partes iguais entre todos os participantes da competição.
Justos ou não, os modelos adotados nas principais ligas europeias, exceto a espanhola (por razões óbvias), parecem satisfazer as necessidades de seus clubes.
No Brasil, porém, a escolha do modelo não poderá estar dissociada do fim do monopólio nas transmissões, altamente prejudicial aos clubes, pois impedem a concorrência e, com ela, valores maiores.
Da mesma forma, parece razoável crer que os clubes – especialmente os menores – se beneficiariam caso a venda dos direitos fosse feita de forma coletiva, e não individualmente como ocorre hoje.
A união dos fatores – fim do monopólio nas transmissões e venda coletiva de direitos – parece ser o caminho mais apropriado para equilibrar e manter a competitividade do Campeonato Brasileiro.
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