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No Ângulo | Futebol é preciso

Sejam mais Daniel Alves

03/06/2016

Créditos da imagem: fcbarcelona

Humilde, humano e ousado. Esse é Daniel Alves, o melhor garçom que Messi já teve.

Habilidoso, veloz e ofensivo. Esse é Daniel Alves, nascido no sertão da Bahia, filho de seu Domingos e dona Lucia.

Alegria, coração e alma. Esse é Daniel Alves, o maior lateral direito da história do Barcelona.

Todos estão comentando, discutindo e escrevendo sobre o adeus (ou até logo) de Dani ao Barcelona. Especulando valores de transação, motivos da saída, possíveis destinos e também o provável substituto do lateral. Tudo isso gerando ainda mais polêmica na vida de Daniel Alves.

Mas será que ninguém parou pra pensar em tudo que ele já passou na vida? Em tudo que ele superou e teve que fazer pra chegar onde está? Méritos, agradecimentos, homenagens, cadê?

Vamos especular menos e refletir mais positivamente sobre as coisas, assim como ele faz.

Vocês têm noção de que ele vivia no sertão da Bahia, acordava 5 horas da manhã, colocava vários panos na cabeça para se proteger do sol escaldante e trabalhava na lavoura de melão com seu pai?

Dani Alves plantava e colhia melão para poder viver. E isso pra ele, era o que ele tinha de mais valioso. Dizia que os melões eram seus melhores amigos, de tão importantes que eram pra sua família, colhia cada um dos frutos, cuidava, fazia carinho e até dava nome. Ele se divertia fazendo isso.

Não estou contando essa história pra dizer que ele sofreu muito, teve uma infância pobre, mas sim para mostrar que devemos valorizar o que temos, independente do que seja. Agarre-se no que você tem.

Como todo garoto brasileiro, ele jogava futebol depois do trabalho e da escola, mas não tinha aquele sonho de menino de ser um grande jogador. Ele queria mesmo era ser muito bom por alguma coisa, seja ela qual fosse. Até por isso, treinava seu autógrafo quando criança! Pois tinha certeza que um dia seria alguém, nos campos da lavoura, de futebol ou da vida.

Mas por sorte, ironia do destino ou qualquer polêmica que seja, Daniel Alves foi parar na cidade grande. Ainda menino teve que se mudar para Salvador às pressas, não se despediu nem de sua mãe… foi jogar no gigantesco Bahia. E naquela época, não tinha uma peça de roupa na sua mala, só a que tinha no corpo (quem diria, né?). E ele foi. Jogou no maior time do seu estado, realizou o sonho de seu pai e seu irmão.

Já estava bom? Não. Ele queria mais e sabia que poderia alcançar. Já tinha o autógrafo ensaiado mesmo, bastava apenas buscar um campo mais fértil.

Levou sua confiança, um pouquinho mais de roupas na mala, sua habilidade nos pés e seu carisma para a Espanha. Jogou no Sevilla, conheceu um pouco dos costumes, tradições e do luxo europeu. Mas foi em 2008 que ele chegou ao Barcelona, e a partir dali ele começou a trabalhar na lavoura mais importante de sua vida.

Será que ele caiu na pressão do momento em que estava vivendo? Ficou com medo? Deixou se levar por isso? Pela fama, sucesso e dinheiro? Com certeza não.

Daniel Alves, o garotinho do sertão da Bahia estava no Barcelona. Vestindo a camisa 6 de Xavi, e não só a vestindo no corpo, mas a honrando com muito futebol e caráter, o que não é pra qualquer um.

Estava no Barcelona e estava dando um novo sentido para o esquema tático do time, não era apenas um lateral direito completo, mas um lateral direito que marca, defende, cria, avança, finaliza, é ala, é ofensivo, é habilidoso, é veloz.

Daniel tornou-se peça fundamental no incrível Barcelona que o mundo se encantou. Ele serviu Lionel Messi, que para muitos é o melhor jogador do mundo, 42 vezes. Foram inúmeras assistências perfeitas para o camisa 10 e 23 títulos pelo Barcelona.

Muitas polêmicas, entrevistas com críticas à imprensa e diretoria do clube, roupas e legendas de fotos extravagantes, mas e daí?! Ele nunca se deixou levar, ele vive a vida com alegria e não leva as coisas tão a sério.

O garoto não tinha roupa pra vestir e se proteger do sol da Bahia e agora querem criticá-lo por usar terno verde com chapéu roxo? Deixa o cara viver e aproveitar do que nunca teve.

Quem mais comeria uma banana que fora jogada para insultar? Quem teria tal reação a não ser Daniel Alves?

Mesmo sendo considerado por anos e melhor lateral direito da atualidade, o Barcelona contratou alguém para tomar seu lugar. A imprensa foi à loucura. E o que Dani Alves fez? Respondeu com futebol e bom humor.

Além e muito superior a tudo isso, vem seu caráter. Que fica evidente tanto dentro quanto fora de campo. Em 2011, o parceiro de equipe de Daniel Alves, Eric Abidal descobriu um tumor no fígado e que seria necessário realizar um transplante de risco. Daniel Alves não hesitou e foi o primeiro a se oferecer para tal cirurgia. Abidal não aceitou pois seria um risco à vida do amigo e companheiro de equipe. Isso sim é dar o sangue e a vida por amor ao clube e aos seus companheiros. Isso é caráter.

Quantas vezes o lateral direito não se dedicou ao famoso Dia dos Reis, no qual atletas visitam crianças doentes nos hospitais e as alegram com brinquedos, presentes ou simplesmente um sorriso? Quantas vezes não vimos Daniel Alves se divertindo com as crianças ao entrar em campo? Ou quem não se lembra do momento em que ele carrega um deficiente visual pelo gramado e depois o leva de volta à sua cadeira?

Existem muitas histórias que exemplificam o caráter dele. Muitas análises do seu desempenho em campo que comprovam a sua excelência como melhor lateral direito da história do Barcelona. E ele nunca deixou sua raiz, nunca esqueceu o que sofreu e pelo que passou, o melão ainda continua sendo o ganha pão da sua família, numa fazenda com equipamentos modernos na Bahia.

Mesmo com todas as críticas, ele nunca deixou se abalar ou desanimar, sempre seguiu em frente com alegria e personalidade.

Depois de 8 anos, ele deixa o Barcelona e a torcida catalã, os únicos perdedores nessa história, porque nessa longa trajetória Dani Alves pôde colher seu melhor fruto: ser feliz simplesmente por ser alguém. É como ele mesmo diz: “Não leve a vida tão a sério…Vamos viver! Pra cima!”.

Então, vamos ser um pouco mais Daniel Alves?