Pular para o conteúdo
No Ângulo | Futebol é preciso

Santos é favorito contra o Palmeiras no “clássico da faca nos dentes”

23/04/2016

Créditos da imagem: Marcos Ribolli / GloboEsporte.com

Após as duas decisões que protagonizaram em 2015, com uma vitória para cada time, e as recentes provocações de lado a lado, Santos e Palmeiras têm tudo para fazer um clássico com rivalidade real entre os jogadores como há muito não se via no futebol paulista.

É impossível falar deste jogo sem tratar das finais do ano passado: do Campeonato Paulista, vencida nos pênaltis pelos santistas, e da Copa do do Brasil, na qual o Peixe era considerado favorito e o Palmeiras, numa grande mobilização do elenco e da torcida, conseguiu levar para os pênaltis e vencer em uma superação épica. Não bastasse isso, teve toda a repercussão dos desentendimentos entre Ricardo Oliveira e Fernando Prass, inclusive com a expressão de deboche do atacante santista – após marcar um gol no arqueiro – tendo virado uma máscara e um meme da internet, fartamente explorado pelos palmeirenses. E, para finalizar, o maior craque santista, Lucas Lima, ironizou os rivais após a vergonhosa goleada que sofreram para o Água Santa, por 4 x 1, o que também gerou reações alviverdes.

Tudo isso somado ao fato de serem duas equipes que jogam tudo no estadual (o Palmeiras foi eliminado da Libertadores e a Copa do Brasil mal começou para o Santos, ainda não representa desafio) e que realmente desejam muito o título, faz a partida ter todos os ingredientes para ser muito emocional e intensa.

O Santos é, na minha opinião, uma das quatro equipes que aliam bons resultados e bom desempenho no Brasil (ao lado de Atlético Mineiro, Grêmio e Corinthians), possui jogadores de raro talento no nosso país (incluindo Lucas Lima, para mim, o melhor em atividade por aqui) e, nos últimos tempos, transformou a Vila Belmiro em uma fortaleza. A tal ponto de estabelecer o recorde de partidas invictas como mandante em toda sua história (que, diga-se de passagem, teve um dos maiores, senão o maior esquadrão da história do futebol, de um tal Pelé), com 25 partidas sem derrota.

Já o Palmeiras não apresenta o mesmo nível de jogo, e teve a inaceitável eliminação na fase de grupos da Libertadores. Mas, por outro lado, parece ter mudado sob o comando de Cuca: o time vem melhorando e já está invicto há seis partidas. Fora que tem um perfil “cascudo”, tendo vencido uma inesperada Copa do Brasil, e vem sendo o time paulista mais bem sucedido em clássicos de 2015 (quando foi formada sua base) para cá. O grupo parece gostar desses jogos grandes.

Enfim, em um duelo desses, pode mesmo dar qualquer coisa. Mas prevejo um Santos cheio de desejo de vingar a derrota da Copa do Brasil, jogando onde se sente confortável e, além do mais, com torcida única. Creio que naquela final o alvinegro praiano era visto como favorito por todos, e ficou em uma das piores situações que pode haver nos esportes em geral: com a sensação de que  “basta fazer o que vinha sendo feito” para vencer, enquanto seu adversário, o Palmeiras, tinha a consciência de que precisaria se superar, elevar seu nível ter uma atuação perfeita, para poder chegar à vitória. Para acrescentar, o Verdão não contará com Dudu e Allione, e desde 2015 foram quatro confrontos entre Santos e Palmeiras na “Vila mais famosa do mundo”, com quatro triunfos santistas.

Que em meio a um estadual modorrento e com poucos jogos que mexem verdadeiramente com a alma dos jogadores e torcedores, saibamos desfrutar deste Clássico da Saudade que tem tudo para, no futuro, ser dos que ajuda a manter o sentido do apelido do confronto.

Leia também:

– Afinal, o que queremos para o nosso futebol?

– Cuca à parte, o Palmeiras merecia vaias – e não aplausos – depois do fiasco na Libertadores

– Palmeiras e o segredo do fracasso